Curitiba - Um estudo apresentado no Senado e realizado pelo Instituto Procomex (sob o título ''Os Grandes Desafios e as Oportunidades de Ganhos dos Tempos Aduaneiros no Brasil'') aponta que o Brasil é o 45º colocado na pontuação internacional sobre a eficiência dos portos. A pesquisa levou em consideração a estrutura portuária ofertada por 53 países. Somente em 2007, teriam sido pagos mais de US$ 150 milhões em demurge - uma multa cobrada pelo atraso dos navios no porto. As taxas prejudicaram principalmente as importações de fertilizantes. O tempo médio de espera de navios de contêineres para atracar no Brasil aumentou 78% entre 2005 e 2006 - de 13 para 20 horas. No Porto de Vitória (ES) chega-se a 55 horas de espera. Situação que não é diferente do Porto de Paranaguá (PR).
Só para ter idéia, dois navios que atracaram em fevereiro tiveram que pagar U$ 40 por dia parado. ''Eles vieram carregados de fertilizantes e sofreram todos os tipos de restrição por conta da falta de estrutura. Quem perde com isso, principalmente, é o agronegócio'', denuncia Nilson Hanke camargo, assessor técnico e econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP). Um contêiner para exportação através do Porto de Santos pode demorar 18 dias para seguir ao seu destino. Em Hong Kong, o prazo médio é de cinco dias.
Além do pouco investimento, entre os principais problemas enfrentados pelo setor portuário brasileiro, tem-se ainda o volume de cargas, a burocracia, as greves, a competitividade, o preço elevado dos combustíveis, problemas de infra-estrutura e altos custos dos terminais nos principais portos do País. Entre 2001 e 2005, o governo norte-americano destinou ao setor portuário mais de US$ 9,4 bilhões. No Brasil, foram investidos US$ 371 milhões no mesmo período (dados da Revista Problemas Brasileiros, de janeiro de 2008).
Outro problema é o custo. A distância entre São Paulo e Santos é de 70 quilômetros, mas para que um contêiner faça um trajeto entre as duas cidades são cobradas taxas de US$ 500 a US$ 750. É o mesmo preço cobrado entre Hamburgo e Frankfurt, que tem 700 quilômetros de distância. Além disso, os custos para movimentação de contêineres dentro dos portos brasileiros chegam a atingir os US$ 550. Em Hamburgo (Alemanha), Jacksonville (EUA) e Valparaíso (Chile), a média é de US$ 200. Por conta dessas distorções, os principais portos do Brasil deixam de faturar anualmente cerca de US$ 150 milhões.
Na maioria dos portos brasileiros, a Tarifa de Utilização Portuária (TUP), espécie de pedágio, é de US$ 5 por tonelada (taxa cobrada no Porto de Paranaguá). Em portos como Rosário e Baía Blanca, na Argentina, a taxa não passa de US$ 2,30. Nos Estados Unidos, a diferença é ainda maior: US$ 0,27. ''Os custos e as dificuldades portuárias brasileiras estão inviabilizando nossas exportações'', avaliou Pratini de Moraes, presidente da Associação dos Exportadores do Brasil (AEB). Em 1985, as exportações brasileiras foram de US$ 25,6 bilhões (algo em torno dos 11% do Produto Interno Bruto). No ano passado, as exportações somaram US$ 46,5 bilhões (cerca de 8% do PIB).

- Leia amanhã entrevista sobre assunto com a Administração do Porto de Paranaguá e Antonina (APPA)

mockup