A supersafra de grãos produzida no Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul coloca em xeque a estrutura do Porto de Paranaguá, considerado o maior terminal graneleiro do País. O porto está operando 24 horas por dia, mas não consegue dar conta da demanda. As cooperativas e produtores não param de enviar caminhões para Paranaguá, pois têm pressa em escoar a produção com medo de que os preços internacionais possam cair mais.
Quem sofre com a situação são os caminhoneiros que esperam em uma fila que ontem chegou a 120 quilômetros.
O congestionamento foi tão extenso que atingiu 13 quilômetros da BR-116, no perímetro urbano de Curitiba, chegando até o trevo do Contorno Leste, onde recomeça a BR-277, que dá acesso ao Norte do Paraná e Oeste.
Os motoristas que chegam do interior do Estado ou do Mato Grosso calculam que vão ficar três dias na fila até chegar no desembarque. ‘‘Não volto mais de jeito algum. Não compensa ficar aqui parado’’, prometia Roque de Cézaro, caminhoneiro de Cuiabá (MT). Ele afirmou que nos anos anteriores enfrentou filas, mas nunca comparáveis a desta safra.
Outro motorista do município de Dourados (MS) disse ter vindo com mulher e filho, pois não sabia da situação. ‘‘Todo ano a gente espera. Não tem jeito. Só que desta vez está demais. Estão fazendo a gente de armazém’’, protestou.
A justificativa no Porto de Paranaguá é de que não há nada mais a se fazer. O secretário dos Transportes, Nelson Justus, concorda que os caminhões viraram pequenos cilos improvisados. Ele prometeu melhorar a situação para o próximo ano. ‘‘Para a próxima safra vamos fazer uma operação profissional de escoamento. Teremos de adotar um escalonamento’’, afirmou Justus.
Cerca de 1,4 mil caminhões e 500 vagões com soja, farelo e milho desembarcam por dia no Corredor de Exportação. Esperavam na fila, ontem, outros 5,6 mil motoristas. A capacidade de embarque nos navios é de até 100 mil toneladas de grãos por dia.
O porto assegura que ampliou a capacidade para receber a safra, mas não contava com tamanha produção. ‘‘Houve investimento de R$ 17 milhões em remodelação. O número de carregadores de navios aumentou de quatro para seis. Houve ainda troca nas correias de transporte de produto’’, disse o diretor técnico do porto, Luis Ivan Vasconcelos.
Segundo o Porto de Paranaguá, de janeiro até agora foram movimentadas 3 milhões de toneladas. No ano passado foi 1,3 milhão no mesmo período. A capacidade de armazenagem de grãos em Paranaguá é de 1,1 milhão de toneladas, considerando cilos públicos (160 mil) e privados (1 milhão).
A Cooperativa de Campo Mourão (Coamo), por exemplo, informou que ainda tem espaço em seus armazéns, mas faltam caminhões que estão parados na rodovia. Como tem terminal próprio para embarque, a Coamo avalia que não deveria ficar com os caminhões presos na fila. No ano passado, a maior cooperativa do País embarcou 980 mil toneladas em 200 navios.

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