Porto seco pode ser solução para soja transgênica
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segunda-feira, 08 de março de 2004
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A instalação de um porto seco em Ponta Grossa, a região dos Campos Gerais, pode ser a solução para o problema da exportação de soja transgênica pelo Porto de Paranaguá. Ontem, o governador Roberto Requião (PMDB) reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com os ministros da Casa Civil, José Dirceu, e da Agricultura, Roberto Rodrigues, para tentar mais uma vez obter a classificação de área livre de transgênicos para o Estado. A reunião foi convocada por José Dirceu.
Segundo o deputado estadual Elton Welter (PT), que acompanhou a reunião, o ministro Roberto Rodrigues não garantiu que a classificação será emitida. Porém, o petista acredita que a construção do porto seco em Ponta Grossa pode facilitar essa certificação. ''Toda a soja transgênica seria enviada para esse silo, ficando assim separada da soja convencional estocada no Porto de Paranaguá. Ela poderia então ser exportada por trem, não sabemos ainda se pelo próprio porto de Paranaguá em uma esteira própria ou por outros portos'', explicou Welter.
Ainda existem entraves burocráticos para a instalação do porto em Ponta Grossa. ''Existem questões de ordem tributária, porque a área do porto seco teria que passar a funcionar como um terminal da alfândega. Porém, os ministros e o presidente afirmaram que estavam dispostos a arranjar uma solução rápida para a questão dos transgênicos, e isso pode facilitar a instalação do porto seco'', explicou Welter.
Pela manhã, durante a reunião semanal do secretariado, o governador adotava um discurso pesado. Requião disse aos secretários que não tem disposição em aceitar a tese de tolerância de mistura de até 1% nas exportações e que preferia uma intervenção do governo Lula no Porto de Paranaguá, que é uma concessão federal. Segundo ele, quem defende essa tese são as multinacionais. Requião disse que quer zero% de transgênicos no Porto de Paranaguá. O governador não escondia seu descontentamento. O governador esteve em Brasília, há cerca de três meses, e saiu de lá com a certeza de que Lula autorizaria o Paraná a virar área livre de transgênicos, o que não aconteceu. O máximo que o Ministério da Agricultura admitiu, em todo esse processo de discussão, foi o Paraná tornar-se área ''parcialmente livre de transgênicos''.
Além dos transgênicos, Requião também pretende negociar com o governo federal a exclusão da Copel do pool de empresas estatais criado pelo governo que obriga as empresas a ofertar a energia excedente produzida num leilão nacional. Como a Copel é uma grande produtora, o governador teme que o preço pago pela energia excedente não compense a entrada da empresa paranaense no pool. Requião irá se reunir hoje com a ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, para discutir o assunto.


