Foi inaugurado na tarde de ontem, em Londrina, o primeiro Porto Seco localizado em aeroporto doméstico do país. Dentre os 33 modelos existentes, esse é o único que divide o transporte de cargas com o de passageiros. A iniciativa foi possível porque o Aeroporto de Londrina opera por rotas internacionais.
  A solenidade de inauguração contou com a presença do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o prefeito de Londrina, Nedson Micheletti, o diretor da Infraero, Sérgio Brito Gaudêncio, o delegado da Receita Federal de Londrina, Sérgio Nunes, e outras autoridades locais.
  A finalidade de uma zona alfandegária anexa ao aeroporto é descentralizar as operações de importação e exportação dos portos marítimos. O Terminal de Cargas Alfandegárias vai receber o carregamento oriundo dos portos de Paranaguá e Itajaí. A vantagem é descentralizar a tramitação legal da zona portuária, porque o porto seco permite a nacionalização dos importados nas regiões de destino.
  O empresariado da região será beneficiado com a redução dos custos de logística no envio e recebimento de cargas por outros aeroportos. Artigos de menor volume, como eletroeletrônicos, insumos agrícolas e matéria-prima para medicamentos são os mais comuns na região. O câmbio internacional de cargas maiores, como o escoamento da produção agricola, continuará via portos marítimos.
  Segundo Ana Paula Pigozzo, diretora da Conexão Assessoria de Comércio Exterior, empresa responsável por coordenar a operação de nacionalização das cargas, o desembaraço na burocracia e no trâmite de desembarque será o maior benefício. No começo, a estrutura tem capacidade para atender cerca de 100 empresas por mês.
  Segundo Carlos Alberto de Souza, diretor de logística da Infraero, a definição de Porto Seco gera confusão porque a sua utilização está relacionada apenas ao trabalho de empresários. A diferença com porto tradicional é que permite a nacionalização da carga longe das regiões portuárias maritimas, considerados portos primários. E o Porto Seco funciona como um estágio secundário na escala de distribuição.
  A vantagem com relação ao porto marítimo é que reduz de 30 para 4 o número de processos de nacionalização de importados. ‘‘A maioria das pessoas ainda não entendeu o funcionamento do porto seco porque na cidade a cultura de importação e exportação é restrita’’, explica Ana Paula.

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