Porto se desentende com a Conab
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de abril de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião, está enfrentando novo desentendimento com parceiros. Desta vez, a investida foi contra o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento, Jacinto Ferreira, a quem Eduardo acusa de descumprir um acordo firmado entre as instituições em janeiro deste ano. Por outro lado, o superintedente do porto foi apontado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTT) de não cumprir decisões adotadas pelo Conselho da Autoridade Portuária (CAP).
Conforme Eduardo Requião, o presidente da Conab agiu de má fé ao descumprir um protocolo de intenções firmado no início deste ano, no qual o porto utilizaria para operações de logística as instalações do complexo de armazenagem em Ponta Grossa, com capacidade para armazenar 420 mil toneladas de grãos. Conforme estratégia da APPA, os caminhões e vagões iriam descarregar as cargas nos armazéns da Conab, que por sua vez, iria liberando veículos de forma escalonada com o fluxo de embarque no porto, para evitar as filas ao longo da BR-277, no período de safra.
O desentendimento veio à tona, quando Ferreira encaminhou ofício recentemente afirmando que o porto poderia dispor de apenas 120 mil toneladas para armazenagem no complexo de Ponta Grossa. Irritado, Eduardo Requião alegou que essa capacidade é insuficiente para a logística que a APPA pretende executar este ano. Ele sustenta que até manifestar a intenção do porto em utilizar os armazéns da Conab, eles estavam ociosos. O superintendente prometeu recorrer judicialmente contra a deixão da Conab.
Para Eduardo Requião, a atitude de Ferreira foi uma tentativa clara de desestabilizar o Porto de Paranaguá e a agricultura do Paraná. ''Trata-se de uma atitude perversa de quem intencionalmente age contra os interesses do Estado'', declarou.
Em sua defesa, o superintendente da Conab alegou que nunca descumpriu o acordo e mantém a intenção de um entendimento pacífico. Em nota oficial distribuída ontem à tarde disse que o prazo do protocolo firmado com o porto já foi encerrado e nesse período a APPA não apresentou os estudos necessários para as obras de adequação que devem ser feitas no complexo.
Segundo Ferreira, o porto se prontificou a fazer investimentos para o incremento da capacidade de recebimento e de expedição dos armazéns, que até agora não foram concretizados. Além disso, ele acredita que as 120 mil toneladas disponibilizadas até agora são suficientes para atender as necessidades do porto até que os investimentos necessários sejam feitos. Ferreira alegou ainda, que a Conab é uma instituição federal e não pode prejudicar as demais atividades de prestação de serviços de armazenamento, que também é de interesse público, por causa do porto.
De acordo com o superintendente da Conab, no Paraná, Jorge Argemiro Dias, atualmente o complexo de armazenagem de Ponta Grossa está ocupado com 260 mil toneladas de grãos estocadas.


