Ney de Souza‘Opção continental’Iquique investiu US$ 30 milhões para transformar porto no principal do país. Localização é privilegiada para embarcar produtos ao mercado asiático: está a 18 mil quilômetros da Ásia, enquanto Paranaguá fica a a 26 mil quilômetrosAlém da zona franca, outro empreendimento do norte chileno está interessado no mercado paranaense. O Porto de Iquique planeja exportar a produção de países da América do Sul - principalmente do centro-sul do Brasil - que tem como destino a Ásia. Para isso, usa como trunfo sua localização. Iquique está a 18 mil quilômetros da Ásia. Os portos de Santos (SP) e Paranaguá, a 26 mil quilômetros.
‘‘O Brasil só será uma grande nação quando, além do Atlântico, dominar também o Pacífico’’, prega Jorge Soria Quiroga, que ocupa o cargo de prefeito de Iquique pela quinta vez. ‘‘Não nos interessa tanto vender produtos, mas exportar as mercadorias do Brasil.’’ No caso do Paraná, o objetivo é embarcar a produção agrícola do Estado para o mercado asiático.
Para isso, o Chile investiu US$ 30 milhões no Porto de Iquique, até transformá-lo no principal porto comercial do país. A maior parte desse dinheiro foi aplicada no aprofundamento do canal por onde circulam os navios - cuja profundidade atingiu 17 metros, compatível com embarcações de grande porte.
Agora, para consolidar o porto como opção continental, o país aposta na concretização dos Corredores Bioceânicos, um gigantesco projeto que pretende unir o Atlântico ao Pacífico por dois meios de transporte: o rodoviário e o ferroviário. Para isso, é necessário o asfaltamento e a abertura de trechos de estradas e ferrovias, que terão que vencer os obstáculos naturais da Cordilheira dos Andes e do Deserto de Atacama.
No caso da estrada de ferro, falta a construção de um trecho de 200 quilômetros para a concretização de uma via que ligará Iquique às principais capitais da América do Sul. Orçado em US$ 50 milhões, o projeto está sendo estudado pela empresa que recentemente comprou as ferrovias chilenas.
O superintendente do Porto de Paranaguá, Osíris Stenghel Guimarães, considera ‘‘muito difícil’’ que os planos do Porto de Iquique se tornem realidade. ‘‘O custo para se levar a produção até lá seria muito alto, além da dificuldade de transporte, com estradas e ferrovias precárias’’, disse Guimarães em entrevista à Folha.
Paranaguá é o principal porto brasileiro em exportação de grãos. Metade das 19,7 milhões de toneladas exportadas por Paranaguá no ano passado é representada pela soja e seus derivados - farelo e óleo. O faturamento em 97 chegou a US$ 4,1 bilhões.
Para enfrentar a concorrência, o porto paranaense está investindo perto de R$ 60 milhões em obras de modernização. As melhorias incluem dragagem do canal (que ficará com profundidade média entre 11,90 metros e 12,5 metros) e um novo terminal de contêineres. (V.D.)

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