Curitiba Ainda neste mês entra em operação o Porto Matarazzo, em Antonina, litoral do Paraná, depois de oito anos de inatividade. O porto vai trabalhar com cargas gerais e a expectativa de movimentação anual é de 1 milhão de toneladas. Os investimentos nas obras de modernização consumiram cerca de R$ 400 mil. O presidente do porto, Fernando Matarazzo, disse que o empreendimento obteve a licença ambiental necessária e está pronto para entrar em operação.
O porto já assinou contrato para receber 200 mil toneladas de sal. O primeiro navio deve atracar logo depois do Natal. O empreendimento tem área construída de 10,4 mil metros quadrados, capacidade para descarga direta de dois navios com 6 mil a 8 mil toneladas e de armazenar outras 50 mil toneladas. Fernando Matarazzo disse que o porto pode trabalhar com qualquer tipo de cargas e espera fechar contratos para transportar fertilizantes, cimentos e até contêineres.
O Porto Matarazzo é o primeiro porto privado do Brasil. Foi obtido pela família de imigrantes italianos no início do século. Os Matarazzo deixaram de atuar no porto em 1972, quando alugaram o local para outros operadores, que o utilizaram até 1996. Em 2001, foram iniciados os trabalhos para a reabertura. Durante esse período ocorreram várias brigas e disputas familiares que impediam o funcionamento do porto. Fernando disse ontem que pelo acordo familiar ele é o proprietário do local. Segundo ele, ocorreram problemas políticos que dificultaram a abertura do empreendimento, mas agora a situação está definida.
De acordo com Fernando, o porto tem grande potencial para crescer. ''Estamos sustentados pelo retorno de trem de carga para Antonina'', disse. A ferrovia de Antonina voltou a operar no início de outubro, depois de 20 anos de inatividade. Desde então, já foram transportadas cerca de 30 mil toneladas de ferro. Em breve a empresa deve iniciar o transporte de cargas gerais.
O Porto Matarazzo é um dos terminais que compõem o Porto de Antonina, autarquia do governo estadual. Os outros terminais são o Barão de Teffé, de administração pública e o Terminal Ponta do Félix, da iniciativa privada. ''Apesar de privado, o terminal Matarazzo faz parte do porto e por isso o que mais queremos é que ele volte a operar. Não é um concorrente, mas sim uma espécie de filho'', disse o diretor do Porto de Antonina, Joarez Moraes e Silva. Segundo ele, a abertura de novos portos é fundamental para o desenvolvimento econômico. ''É preciso atender a demanda, já que o agronegócio cresce e os portos não são ampliados na mesma proporção'', acrescentou.

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