ArquivoEm altaPrevisão oficial aponta redução acentuada na área de milho. Preços devem reagir ainda este ano O ministro da Agricultura e do Abastecimento, Arlindo Porto, divulgou ontem a primeira estimativa da safra 1997/98, que indica uma produção entre 77,5 milhões e 80,1 milhões de toneladas de grãos. Ele garantiu que a safra será recorde em valor da produção, embora em volume permaneça inferior ao de 94/95, quando foram colhidos 81,1 milhões de toneladas. ‘‘Haverá aumento de renda para o produtor’’, afirmou Porto.
Pelas estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o valor da produção na atual safra ficará entre R$ 14,2 bilhões e R$ 14,8 bilhões, mais de R$ 2 bilhões acima dos R$ 12,1 bilhões da safra anterior, cujo volume total produzido foi consolidado em 78,6 milhões de toneladas.
A safra também deverá elevar o saldo da balança comercial agrícola no ano que vem em US$ 700 milhões, segundo Porto. Isto poderá ocorrer em função da redução das importações de arroz e algodão e do aumento das exportações de soja. A expectativa de Porto é que o saldo da balança comercial agrícola este ano seja superior a US$ 9 bilhões.
Milho O primeiro levantamento feito pela Conab no início do mês, com base na intenção de plantio das principais lavouras, revela uma mudança no perfil da produção agrícola, com redução de até 13,6% no volume produzido de milho e de até 0,5% no de feijão, e aumento dos demais produtos pesquisados - arroz, soja e algodão.
Porto informou que, para atender ao consumo interno de milho, estimado em 37 milhões de toneladas, o governo deverá usar todo o estoque de passagem da safra de 5 milhões de t e esperar um volume maior de produção na chamada ‘‘safrinha de milho’’, pois o volume máximo previsto pela Conab para a primeira safra de milho atingirá 24,8 milhões de t.
Os números estimados para o milho provocaram preocupação dos técnicos do ministério, que ainda acreditam numa reversão de plantio, com aumento da lavoura. Porto atribuiu a queda aos baixos preços na comercialização do milho na safra passada.
A redução do plantio de milho provocou aumentos significativos no plantio de soja (até 16,3%) e de algodão (até 57,5%). Porto lembrou que a produtividade do milho, sendo bem maior que a dos dois outros produtos, provocará queda na quantidade produzida, mas aumento significativo de preços.
O ministro disse ter segurança de que a produção deverá atingir o limite máximo previsto pela Conab em razão de diversos indicadores, como o aumento de 40% nas vendas de máquinas agrícolas, de 15% em fertilizantes e de 20% no consumo de defensivos. ‘‘Isto demonstra que o produtor está usando mais tecnologia’’, concluiu o ministro.

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