Curitiba - O Porto de Paranaguá não disponibiliza para os navios o desembarque com data e hora marcadas, as chamadas ''janelas'' de atracação. Com isso, as embarcações que chegam no porto são obrigadas a ficar esperando ao largo. Segundo informações da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Paranaguá (Aciap), as ''janelas'' são adotadas por todos os portos estrangeiros e brasileiros e, a ausência delas, fez os armadores diminuírem o número de escalas no terminal paranaense.
Ainda de acordo com a Aciap, a falta de janelas de atracação resultou em congestionamento no porto, longas esperas que comprometeram a integridade da programação, o que gera custos para os armadores e seus clientes.
O presidente do Sindicato das Agências de Navegação do Paraná (Sindapar), Carlos Alberto Calvo, lembrou que em outros portos como de Buenos Aires (Argentina), Rio Grande (RS), São Francisco (SC), Itajaí (SC) e Santos (SP), cada navio negocia uma data para atracação. Caso não esteja na data e hora marcadas, perde o espaço. ''Assim o dono do navio consegue gerenciar a frota dele'', disse.
''Paranaguá não tem vaga para ninguém. Quem chega primeiro atraca. Os navios não têm hora para chegar nem para sair'', disse. Ele destaca que, com isso, o porto perde porque os navios não ficam aqui perdendo tempo se têm outra vaga em outro porto. Calvo destacou que os exportadores também são prejudicados porque ficam com a carga parada no porto. ''A falta de janelas de atracação traz perdas para o porto, para os exportadores, para o Terminal de Contêineres e para os operadores portuários'', disse.
Segundo ele, os navios precisam pagar taxas para utilizarem o canal de acesso do porto. Uma delas é a Inframar de infra-estrutura marítima para cobrir despesas com dragagem e estrutura. Quando o navio atraca no cais, paga a Infraport relativa a infra-estrutura portuária para pagar as despesas com estrutura do cais.
Calvo destacou que Paranaguá nunca teve as janelas de atracação. Os grandes como Santos e Rio Grande possuem este sistema há mais de quatro anos e, os portos menores, há dois anos.
Para o assessor técnico e econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Nilson Hanke Camargo, há falta de planejamento e de uma política de operação do porto mais apropriada. ''Apesar de os armadores receberem demurrage (remuneração pela espera dos navios parados), não é interessante para eles.

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