Apesar da safra recorde de soja, o diretor-técnico da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Ivan de Vasconcellos, afirmou ontem que ainda é cedo para rever as metas de crescimento no transporte de cargas do porto paranaense para 2001. A Appa estimou que o porto deve crescer 7% este ano. No entanto, nos últimos três meses, o movimento de carga foi 36% superior ao verificado no mesmo período do ano passado.
Somente nos primeiros dias de abril, a movimentação de carga foi de 1 milhão de toneladas, o dobro do mesmo período do ano passado. Paranaguá é o principal porto de grãos do País e tem atualmente 90% das atividades sob administração privada.
‘‘Estamos com movimento recorde e deveremos terminar o ano com crescimento, mas ainda é cedo para rever as metas para o ano todo’’, afirmou Vasconcellos.
Segundo ele, a fila de caminhões para escoar a safra de soja estava ontem por volta de 30 quilômetros, bem menor do que os 100 km de alguns dias de março. Para o diretor da Appa, a dificuldade logística não está no porto, e sim no despreparo dos agricultores para armazenar os grãos. ‘‘Faltam terminais de carga e de armanezagem no interior dos Estados e então o pessoal prefere colocar os grãos no caminhão e mandar logo para o porto’’, explicou.
Vasconcellos nega que o Porto de Paranaguá não tenha mais condições de escoar os produtos. ‘‘Não dá para dimensionar a infra-estrutura de um porto de acordo com um volume recorde de carga’’. De acordo com o diretor da Appa, Paranaguá tem atualmente bons indicativos de produtividade, como, por exemplo, a redução da espera dos navios para carregar e descarregar.
‘‘Há dois anos, os navios esperavam 40 dias para o embaque; agora, este número é de dez a sete dias, o que é previsto em contrato.’’ Paranaguá movimenta anualmente 12 milhões de toneladas de carga. O objetivo da Appa é ampliar a capacidade para 30 milhões nos próximos cinco anos.

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