O ministro da Agricultura, Arlindo Porto, negou que os recursos para o plantio da safra 97/98 estão atrasados. Ele explicou que esse ano houve uma demanda muito maior do que o ano passado na busca de recursos do crédito rural, com juros de 9,5% ao ano, em função do crescimento do plantio de soja e certamente os recursos não serão suficientes para atender a todos, frisou.
Porto argumentou que no trimestre julho à setembro, o Banco do Brasil liberou R$ 647 milhões para o Paraná, enquanto no mesmo período do ano passado foram liberados R$ 456 milhões. Ele não concorda que faltam R$ 100 milhões para esse mês. Ocorre que esse ano os médios e grandes produtores querem antecipar os negócios com soja verde, para aproveitar os preços compensadores e por isso está ocorrendo uma concentração do crédito, disse o ministro.
Arlindo Porto prevê que os recursos a 9,5% ao ano deverão atender entre 55% e 60% da safra. E o Paraná deverá receber o equivalente a 25% desses recursos, que é a sua contribuição para a safra agrícola nacional, enfatizou. Sobre as taxas de juros para o crédito rural, o ministro disse que elas estão em queda, acompanhando os níveis inflacionários. Ele lembrou que há 4 anos atrás, as taxas estavam a 16%. No ano passado foram reduzidas para 12% e esse ano cairam mais ainda, para 9,5%. Porto acredita que para 1998 as taxas do crédito rural devem ficar entre 6% e 6,5% para uma inflação de 4,5%, prevê.
Para o ministro os bancos devem se ajustar à essa tendência de queda dos juros. Ele classificou de imoral o fato de a inflação cair para cerca de 4,5% e os bancos continuarem a operar com créditos de 10% a 12% ao ano, disse.
Securitização
O ministro da Agricultura afirmou ontem que não haverá prorrogação da primeira parcela da securitização da dívida agrícola, que vence em 31 de Outubro. Ao invés da prorrogação, o ministério da Agricultura deverá definir as regras para o recálculo da dívida, que será feita caso a caso. Ao contrário do que disse o ministro Porto, o CMN pode aprovar novo prazo, na sua reunião de hoje (veja ao lado).

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