Curitiba O Canal da Galheta, que dá acesso aos portos de Paranaguá e Antonina, já foi fechado para navegação cerca de 70 vezes nos últimos três anos. A Capitania dos Portos de Paranaguá tomou essa decisão para garantir a segurança no canal de acesso ao porto e minimizar os riscos à navegação. A informação é do ministro da Defesa e vice-presidente da República, José Alencar Gomes da Silva, que enviou um ofício em resposta a um pedido de informações, no último dia 2 de junho, encaminhado ao primeiro secretário da Câmara dos Deputados, Inocêncio Oliveira.
Ainda na correspondência enviada à Câmara, o ministro deixou claro que a responsabilidade sobre a eficiência do serviço de balizamento dos navios é da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA). Informou que a Capitania dos Portos enviou vários ofícios, alertando a APPA sobre o balizamento que está sendo feito no porto paranaense ''não atende às normas estabelecidas em convênios internacionais assinados pelo Brasil''.
O ministro José de Alencar informou ainda que a Capitania dos Portos atendeu, no período de 2003 a 2005, nove vezes em ações de prevenção da poluição do meio ambiente provocada por derramamento de combustíveis, e em 13 vezes em eventos de busca e resgate de vidas humanas.
Na última sexta-feira, a navegação no Canal da Galheta ficou interrompida por quase 12 horas, por falta de sinalização adequada para garantir a segurança dos navios. A Capitania dos Portos tomou essa decisão após constatar o descolocamento de uma bóia de sinalização, que foi parar no meio do canal, na entrada do acesso ao porto.
O Canal da Galheta tem uma extensão de 50 quilômetros, sendo 30 até Paranaguá e mais 20 até Antonina. A falta de segurança em toda extensão do canal e nas instalações portuárias vem sendo denunciada há dois anos por entidades e usuários do porto paranaense. A Federação da Agricultura do Paraná (Faep) divulgou um dossiê, que reúne todos os relatórios e inquéritos feitos sobre os problemas decorrentes da falta de manutenção dos equipamentos do porto. O relatório já chamava a atenção para um fato de proporções maiores como o que aconteceu na última sexta-feira, que culminou com a paralisação da navegação.
Em nota divulgada na imprensa, ontem, o superintendente da APPA Eduardo Requião colocou a culpa pela suspensão nos próprios navios, que teriam batido nas bóias de sinalização. Eduardo Requião pediu pediu à Capitania dos Portos apurar responsabilidades sobre quem autorizou a navegação na quinta-feira, dia anterior ao fechamento do canal. Segundo o superintendente, seis navios teriam saído do porto em condições inadequadas por causa do ciclone que atingiu a região Sul do País. Segundo a assessoria da APPA, foram tiradas fotos das bóias avariadas, que estariam manchadas de tinta de cascos de navios.

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