Porto de Paranaguá desperta receio
A partir de 2003, quando o governador Roberto Requião (PMDB) iniciou o seu segundo mandato, o Porto de Paranaguá sempre foi uma espécie de alvo preferencial das críticas à sua gestão. Lideranças de entidades representativas, especialmente as do setor agrícola, criticaram insistentemente a administração portuária, entre outros fatores, devido à formação de longas filas de caminhões na rodovia que leva ao porto, às medidas decorrentes da cruzada contra os transgênicos e à falta de dragagem do Canal da Galheta. O fato de que o irmão do governador, Eduardo Requião, administrou o porto durante a maior parte desse período foi outro combustível para críticas.
Paranaguá criou muitos problemas. Os outros portos foram se preparando e crescendo. Os problemas de Paranaguá também prejudicaram o produtor no sentido em que encareceram as operações nos outros portos. Como tem capacidade ociosa em Paranaguá, se são criados problemas nesse porto, os outros ficam estrangulados. E, pela lei da oferta e da procura, se a operação custa quatro, passa a custar 12, afirma Luiz Antônio Fayet, consultor da CNA.
Nélson Costa, da Ocepar, relata a preocupação do setor produtivo para 2010. Estamos temerosos de que o Porto de Paranaguá não dê conta. A expectativa é de uma boa safra de soja. Não teremos armazéns o suficiente, devido ao milho e ao trigo que ainda estão estocados. Precisaríamos de um escoamento rápido da soja e temos receio de que Paranaguá não atenda, diz o superintendente.
O porto é uma questão caótica. O governo tinha um convênio de R$ 180 milhões junto ao governo federal para ampliar o cais e rompeu. Disse que ia fazer um projeto melhor e não fez nenhum, critica Fayet. Mas o problema não é só do porto, é de todo o corredor portuário de Paranaguá.
O consultor julga desnecessária a ampliação da área de granéis do porto. Ele descreve que a geografia da produção de grãos brasileira está mudando e os produtores de outros Estados vão procurar outras opções. Não vai haver ampliação do transporte de granéis por Paranaguá. Esse transporte vai ser feito por São Luís, Belém, num horizonte imediato, e por Santarém, conectando com a hidrovia do Tapajós, isso dentro de uns 15 anos. O Paraná não tem onde plantar mais grão. Paranaguá tem que ampliar a área de contêineres e deixar a área de granéis do tamanho que está. Existe uma capacidade ociosa que deve ser aproveitada, opina. (F.G.)





