Curitiba- O Porto de Paranaguá movimentou no ano passado 25,648 milhões de toneladas entre exportação e importação e só perdeu para Santos que atingiu 57,668 milhões de toneladas. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio. Apesar de ser o segundo maior porto do País em movimentação, Paranaguá enfrenta uma série de problemas já apontados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e instituições ligadas ao agronegócio brasileiro.
Fuga de cargas para outros portos do País, ausência de dragagem há mais de um ano e suspensão da navegação por duas vezes só em 2006. Estes são alguns dos problemas que Paranaguá apresentou nos últimos anos e que geraram consequências como perda de empregos e de vendas do comércio da cidade. Além disso, o porto enfrenta uma ação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) com pedido de intervenção federal por conta da omissão do Ministério dos Transportes em relação às irregularidades.
De acordo com dados da Secex, o volume movimentado em importação e exportação por Paranaguá teve uma queda de 30,697 milhões de toneladas para 25,648 milhões de toneladas comparando os anos de 2004 e 2005. Isso significa que houve uma redução na movimentação geral de cargas de 16,44%. Por outro lado, o Porto de Santos teve um aumento de movimentação de 4,18% no mesmo período (55,351 milhões de toneladas para 57,668 milhões). O Porto de São Francisco do Sul (SC) teve uma elevação de 65,17% (de 4,698 milhões de toneladas para 7,760 milhões). E o Porto de Itajaí teve um crescimento de 15,30% (de 3,979 milhões de toneladas para 4.588 milhões).
''Caso Paranaguá estivesse em condições normais seria o primeiro em grãos porque tem a melhor capacidade de exportação e de recepção de granéis'', disse o assessor técnico-econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Nilson Hanke Camargo.
Para ele, a queda de movimentação em Paranaguá está ligada a queda de preços da soja e do milho, a proibição da exportação de produtos transgênicos no Paraná - que levou os exportadores a procurarem Santos e São Francisco - e a redução na cotação internacional dos produtos agrícolas.
O presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli, acredita que a fuga de cargas de Paranaguá para outros portos brasileiros está relacionada com a gestão portuária inadequada no Paraná, ao fato de a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) não ouvir o Conselho de Autoridade Portuária (CAP) e o setor empresarial, além da proibição aos transgênicos que obrigou a ABTP a entrar com mandado de segurança na Justiça para que alguns berços de atracação fossem liberados para os produtos geneticamente modificados.
O superintendente da Appa, Eduardo Requião, foi procurado pela reportagem mas mas estava viajando. A assessoria de imprensa do porto enviou à Folha alguns dados sobre o assunto. Segundo a Appa, no ano passado foram movimentadas 30 milhões de toneladas e, este volume é maior que o apresentado pelo Ministério de Indústria e Comércio porque considera a cabotagem - movimentação de cargas entre os portos do Brasil - e o Porto de Antonina. O porto informou que em 2004 foram movimentadas 32,206 milhões toneladas em importação e exportação.
A Appa ainda informou que as filas de caminhões não existem mais no porto porque a chegada dos veículos ao pátio de triagem acontece somente quando a carga já está vendida e os navios estão nominados para receberem a carga.

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