Porto anuncia produção 10,4% maior
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quarta-feira, 12 de março de 1997
Agência Estado 
Arquivo FolhaSUPERSAFRAPorto estima que exportações de soja deverão somar mais de R$ 5 bilhões este ano BRASÍLIA - O ministro da Agricultura, Arlindo Porto anunciou ontem a estimativa de uma safra recorde de 81,185 milhões de toneladas de grãos, com base no terceiro levantamento de campo feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em fevereiro. Os números representam um crescimento de 10,4% em relação à safra passada, de 73,551 milhões de toneladas, e são ligeiramente superiores aos de 1994/95, quando a produção atingiu 81,060 milhões de toneladas de grãos.
Os maiores crescimentos estimados são para a produção de soja, que deverá bater recorde com 26,4 milhões de toneladas, e de milho, que poderá atingir 37,1 milhões de toneladas. Apesar do aumento global de 7,634 milhões de toneladas, haverá redução de quase 500 mil toneladas de arroz (4,9%) e de 89 mil toneladas de algodão (12,8%).
Porto disse que a queda na produção de arroz não preocupa o governo, pois além de estoques disponíveis o País poderá importar o produto dos países do Mercosul, que tem preços competitivos. A redução de 12,1% na área plantada de arroz foi causada principalmente, na avaliação do ministro, pelo endividamento dos produtores do Sul e pela alternativa de outras culturas, como a soja, que aumentou a área plantada em 6% na região Centro-Sul.
A supersafra de soja, segundo Porto, deverá representar mais de R$ 5 bilhões em exportações este ano, e o aumento da produção de milho poderá garantir maior exportação de carne de frangos e suínos. O ministro explicou que a Conab faz cinco estimativas de produção a cada safra. Os dois próximos levantamentos serão nos meses de abril e junho.
O ministro anunciou ainda que, na próxima semana, o governo começará a comprar até 2 mil sacas de arroz por produtor, por meio de AGF. Também serão feitas operações de EGF de até 20% da produção para evitar que os preços caiam abaixo do mínimo.
Na reunião de ontem do grupo de coordenação de Política Agrícola, foi aprovada a antecipação para os meses de abril e maio de até 50% do pagamento em produto da primeira parcela da securitização das dívidas rurais que vencerá em outubro. O produtor poderá optar por pagar em milho ou arroz. A medida ainda depende de aprovação do Conselho Monetário Nacional (CMN).
Outra decisão, que também precisará ser aprovada pelo CMN, é o financiamento para a compra de calcário, de até R$ 30 mil por produtor, com prazo de dois a cinco anos para pagamento e juros de 12% ao ano. Porto disse que o governo quer estimular a correção do solo para o aumento da produtividade e os bancos serão incentivados a fazer estes empréstimos com recursos das exigibilidades - 25% dos depósitos à vista que devem ser aplicados no crédito rural. Do total emprestado para a compra de calcário, os bancos poderão usar o equivalente a 20% de exigibilidades livremente no mercado.
Também será encaminhado ao CMN um voto de ajuste nas regras para a safra de inverno, e logo após serão liberados os financiamentos para o custeio de trigo, cevada e canola, garantiu o ministro. O preço mínimo do trigo será mantido em R$ 157 por tonelada e quem seguir o zoneamento agrícola pagará 4% de seguro rural (Proagro). Os que optarem pelo plantio direto terão uma redução ainda maior na taxa, pagando apenas 3% do financiamento.


