A portaria sobre rotulagem de alimentos transgênicos em discussão no governo federal deverá fixar o percentual de 5% para que determinado ingrediente ou alimento contenha na embalagem a informação de que é geneticamente alterado.
Os alimentos que tiverem OGM (Organismos Geneticamente Modificados) em percentual inferior a 5% deverão ser excluídos da exigência de rótulo.
A informação foi dada ontem pelo presidente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Alberto Duque Portugal. Segundo ele, estão em discussão dois percentuais, 1% e 5%, mas o segundo tende a prevalecer.
O pesquisador da Embrapa Genaro Paiva, que é membro da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), questionou a fixação de um percentual, qualquer que seja ele.
Paiva afirmou que a medida implica um custo muito alto, que não justifica o resultado. Ele defendeu o estudo caso a caso do impacto do uso de OGM e disse que o atual debate sobre o assunto é de fundo econômico, não ambiental.
‘‘Quem financia as ONGs?’’, indagou. Segundo ele, a polêmica sobre transgênicos no Brasil é um mero reflexo da disputa dos governos dos EUA e da União Européia por mercados consumidores dos seus produtos agrícolas.
‘‘O Brasil não tem sequer uma agenda própria’’, afirmou. Ele citou também a campanha contra os transgênicos movida pela indústria de agrotóxicos, uma das principais prejudicadas pelo desenvolvimento de culturas resistentes às pragas.

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