Cerca de 350 empresários, representando os segmentos que compõem a cadeia produtiva da carne bovina, participaram ontem, em Londrina , do seminário ‘‘Novas Regras de Comercialização da Carne Bovina - Portaria 145’’, promovido pelo Sindicato Rural e o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado do Paraná (Sindicarne-PR). Foram discutidos os novos critérios de comercialização da carne (desossa, embalagem, transporte, etc.) que devem ser adotados a partir do dia 4 de janeiro em 21 municípios do Paraná, sendo 11 na Grande Curitiba e 10 municípios das regiões metropolitanas de Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Foz do Iguaçu. O Ministério prevê que em agosto do ano 2000 a portaria estará em vigor em todos os municípios do Estado. Em todo o País, dentro de dois anos, a portaria vai vigorar em 180 centros consumidores.
Ao final do encontro de ontem, tanto o presidente do Sindicato Rural de Londrina, Edison Mazei Ponti, como o diretor-executivo do Sindicarne, Péricles Pessoa Salazar, disseram que o resultado foi positivo. Participaram ainda o promotor do Direito do Consumidor, o delegado federal do Ministério da Agricultura, Mário Bezerra Guimarães; o presidente do Sindicarne, José Aparecido Tomazelli, e o presidente da Sociedade Rural, Francisco Galli, entre outras personalidades do setor rural, da indústria frigorífica, atacado e varejo da carne (açougues e supermercados).
A Portaria 145 é o primeiro passo para colocar a comercialização da carne bovina no mesmo grau de organização que a carne de aves. Uma vez implantada a portaria, é só esperar que os fiscais realizem seu papel de zelar pelo seu cumprimento, segundo Péricles Salazar. Ele citou um exemplo prático do consumidor que escolhe na gôndola um frango resfriado ou congelado, sabendo tudo sobre sua procedência: se é da Sadia ou da Perdigão e se sente com seus direitos resguardados, ao saber o que está comprando.
O seminário de ontem foi para tirar a dúvida de todos os agentes da cadeia e conscientizá-los da função de cada um. ‘‘Com o setor organizado todos saem ganhando, principalmente o consumidor’’, segundo Péricles. O objetivo da portaria é modernizar a comercialização, conferindo-lhes padrões de higiene.
Segundo Péricles - que elogiou a organização do evento pela abrangência e representatividade dos participantes -, a portaria também será um poderoso instrumento contra a sonegação fiscal porque todos têm que mostrar sua cara, e o espaço dos clandestinos será consideravelmente reduzido. Péricles disse também que as indústrias organizadas - aquelas que investiram e se estruturaram para esse novo tempo na comercialização - se sentem recompensadas com as novas regras e exigências. Ao mesmo tempo, lamentam a demora na implantação, o que aliás foi ‘‘cobrado’’ ontem, durante o seminário por um empresário do setor. Aqueles que se organizaram dois anos e meio atrás acreditaram e investiram. Eles se viram frustrados porque só agora a medida está sendo implantada.
Para o presidente do Sindicato Rural, organizador do seminário, Edison Mazei Ponti, a Portaria 145 é irreversível; veio para ficar. Ela é o princípio da organização e beneficia principalmente o consumidor e o produtor. Tanto Ponti como Péricles observaram que o consumidor não vai levar carne de vaca por carne de boi. Pecuarista, indústria, distribuidor e varejista, todos serão beneficiados com um comércio transparente e limpo. E Péricles acrescenta que a sonegação também tende a cair, beneficiando o Estado e os municípios. Para os criadores, a medida é importante porque dá os primeiros passos para a tipificação de carcaças.
De acordo com a portaria, a nova embalagem da carne terá, obrigatoriamente, informações essenciais para o consumidor: data do abate, procedência, idade do animal, se é macho ou fêmea, nome do corte, dados do fornecedor, telefones para reclamações, etc.

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