Se por um lado o acesso ao crédito ficou mais fácil para uma parcela grande da população, muitos brasileiros ainda têm dificuldades para cumprir com seus compromissos financeiros.
E quando a "bola de neve" das dívidas torna inviável qualquer pagamento, a solução pode estar em uma simples conversa com o gerente do banco, por exemplo. É o caminho que muitos devedores têm encontrado para resolver suas pendências, como mostra uma pesquisa feita recentemente pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), que entrevistou 1.238 pessoas de 27 capitais brasileiras.
De acordo com o estudo, 84% dos inadimplentes conseguem quitar suas dívidas renegociando diretamente com os bancos. Um resultado que, na opinião do gerente financeiro do SPC, Flávio Borges, revela como os bancos estão mais flexíveis para ouvir propostas e renegociar pagamentos. "As pessoas estão com mais poder de barganha, já que a demanda por crédito vem crescendo e a inadimplência caindo. Se aumenta o número de devedores, cai a demanda por crédito e para que isso não aconteça, eles (os bancos) sentam na mesa para negociar."
A competitividade também contribuiu para melhorar as relações entre clientes e instituições financeiras, já que em abril do ano passado foi implementada no País a portabilidade de dívidas. Por meio dela, o cliente pode transferir sua dívida para outro banco que ofereça juros menores. "A pessoa pode até fazer um ‘leilão’ da sua dívida entre os bancos e talvez nem precise fazer a portabilidade, mas apenas comunicar o seu gerente que recebeu uma proposta melhor em outra instituição. Provavelmente ele vai ter interesse em manter o cliente", destaca Borges.
Na opinião do economista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Adilson Volpi há também a preocupação dos bancos com relação ao poder aquisitivo dos brasileiros que, dependendo da evolução de alguns fatores econômicos, pode ser prejudicado no futuro. "A inflação está subindo e embora o emprego esteja estável, não se abrem vagas. O interesse dos bancos é receber o que emprestou e se a instituição financeira tem como recuperar o capital, é melhor pegar agora e aplicar em algo mais lucrativo, já que o custo de cobrar é maior."
A maior flexibilidade dos bancos em negociar dívidas também independe do perfil do correntista, de acordo com a pesquisa. Tanto que o percentual de consumidores das classes C, D e E que conseguiram firmar um acordo é 6% maior do que consumidores das classes A e B.
O levantamento ainda mostra que 47% dos devedores estão concentrados entre os consumidores da classe C, seguidos da classe B, com 34%, e D, com 13%. As classes A e E têm, cada uma, 3% dos inadimplentes, o que, segundo Borges, é natural, já que em ambos os casos o hábito comum é realizar pagamentos à vista, seja pela "gordura" para gastar mais ou pela falta de crédito.
Os serviços oferecidos pelos próprios bancos são os que mais fizeram com que os consumidores tivessem seus nomes incluídos em serviços de proteção ao crédito. Segundo a pesquisa do SPC, 46% dos atrasos são referentes a cartões de crédito e 40% de financiamentos bancários. Quase a metade (45%) dos débitos estão concentrados em valores entre R$ 1 mil e R$ 5 mil.

Imagem ilustrativa da imagem Portabilidade permite renegociação de dívidas



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