Portabilidade bancária cresce com queda dos juros

Devedores chegam a conseguir baixar taxas pela metade na mudança de banco

Nelson Bortolin - Grupo Folha
Nelson Bortolin - Grupo Folha

Portabilidade bancária cresce com queda dos juros
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O servidor da Prefeitura de Cambé Wagner dos Santos foi alvo de disputa entre Sicredi e Bradesco. As duas instituições queriam ficar com um empréstimo pessoal que ele havia feito inicialmente na Caixa Econômica Federal. Graças à portabilidade bancária, ele conseguiu baixar os juros da dívida de cerca de 1,80% ao mês para 1,15% ao mês.


Devido ao longo ciclo de queda de juros no País, os brasileiros estão buscando renegociar contratos e as instituições financeiras estão competindo entre si pelos credores.  Segundo o Banco Central, somente no mês de agosto deste ano, o número de portabilidade em todas as categorias, que incluem empréstimos pessoais, consignados, imobiliária, de veículos, entre outras, cresceu 22%, de 2,632 milhões para 3,210 milhões.




Sílvia Borges deve economizar R$ 350 por mês nos novos contratos de dois empréstimos consignados: “Agora vou pagar 1% de taxa nos dois”
Sílvia Borges deve economizar R$ 350 por mês nos novos contratos de dois empréstimos consignados: “Agora vou pagar 1% de taxa nos dois” | Gustavo Carneiro
 


Também segundo a autoridade monetária, somente os processos de portabilidade imobiliária cresceram 102% de janeiro a agosto de 2019, em comparação ao mesmo período de 2018. Passaram de 794 a 1.605.


“Devo estar economizando entre R$ 100 e R$ 120 todo mês”, conta Santos. O empréstimo dele na Caixa tinha taxa original de 1,78% ao mês. Há cerca de dois anos, ele levou a dívida para o Sicredi, que ofereceu 1,41% ao mês. No meio deste ano, o Bradesco assumiu a folha de pagamento da prefeitura de Cambé e o servidor pediu ao banco para calcular os juros para o caso de ele fazer nova portabilidade.


Inicialmente, o novo banco ofereceu 1,20% de taxa e o Sicredi bateu a oferta com 1,15%. Pela segunda vez, o Bradesco o procurou ofertando 1,10%. “Preferi ficar no Sicredi que resolve tudo bem rápido”, contou. Ele assinou o novo contrato nesta quarta-feira (13).


A professora pública aposentada Sílvia Borges também está prestes a assinar novos contratos de dois consignados com a Caixa. Originalmente, um deles tinha taxa de 1,99% ao mês e o outro, 1,78%, ambos feitos no Paraná Banco. “Agora vou pagar 1% nos dois”, conta.  Ela foi procurada por uma funcionária da própria Caixa que ofereceu a portabilidade. “Vou economizar R$ 350 por mês.”


RETENÇÃO

Gerente da agência da Sicredi em Cambé, Ivângela Márcia Palermo explica que a cooperativa reformulou sua política de juros e está com taxas bem competitivas, além e ter alongado prazos. Para crédito pessoal não consignado, os juros variam de 1,44% até 3,5%. “Depende muito da ‘escoragem’ (nota obtida pelo tomador do empréstimo de acordo com o risco). “


Mas, quando um associado ameaçar levar um financiamento para outro banco, o Sicredi chega a oferecer 0,99% ao mês, como forma de retê-lo. “É bem difícil de bater essa taxa”, afirma.


Tiago Antonio Jungo, assistente de agência do Sicoob, diz que o fluxo de portabilidade na cooperativa aumentou muito nos últimos meses. Ele atende apenas consignados. “Os juros dependem dos convênios com a Prefeitura, com o Estado, por exemplo.” E normalmente variam de 1,13% a 1,48%. “Tem gente que nos procura com taxa de 2, 20% e a gente consegue oferecer 1,23%”, conta.


 

É PRECISO FICAR DE OLHO NO CET

 

A portabilidade de crédito é a possibilidade de o cliente solicitar a transferência de um empréstimo ou financiamento de um banco para outro, com o objetivo de obter uma condição mais vantajosa em relação ao contrato original. Veja o passo a passo no quadro.


Rodrigo Alexandre, pesquisador da Proteste, ressalta que a portabilidade é um processo seguro, mas é preciso ficar atento principalmente às taxas. “O banco pode informar determinada taxa, mas não dizer que há outros custos além dela. Então o certo é ver o CET (Custo Efetivo Total)”, afirma.


Ele também aconselha os clientes a perguntarem aos bancos se haverá gastos com documentação e, no caso de portabilidade imobiliária, se haverá despesas com nova avaliação do imóvel. “Para evitar o trabalho, é sempre aconselhável perguntar ao banco de origem se não cobre a oferta do novo.”


O saldo devedor é sempre pago pela nova instituição financeira ao banco original por meio de transferência eletrônica, sem participação do cliente, que não recebe nenhum valor na operação. Nenhum banco é obrigado a aceitar a portabilidade. (N.B.)


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