Pornografia causa demissão em montadora
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quinta-feira, 27 de outubro de 2005
Folhapress 
São Paulo - A DaimlerChrysler (antiga Mercedes) demitiu na semana passada 11 funcionários da unidade de São Bernardo do Campo (SP) por terem em seus computadores fotos ou vídeos pornográficos. Segundo Tarcísio Secoli, da comissão de fábrica, a empresa já tinha comunicado aos funcionários que não permitiria esse tipo de prática e decidiu punir há cerca de 10 dias aqueles que colocaram as imagens em sua intranet.
Os 11 funcionários não foram demitidos por justa causa. Eles foram identificados porque as imagens estavam na rede da empresa e porque cada um tinha uma senha diferente para acessar essa rede.
Secoli também afirmou que a DaimlerChrysler já marcou para novembro um novo rastreamento de imagens pornográficas, desta vez não na rede mas em todos os computadores pessoais. ''Espero que quem tenha algum tipo de conteúdo desse tipo em seu computador já tenha entendido que é hora de deletar.''
Segundo Secoli, a comissão de fábrica deve conversar com executivos da empresa amanhã para tentar reverter as demissões. ''Não compactuamos com esse tipo de prática. Todo mundo sabe que não pode, mas faz. Agora, a empresa foi muito dura com alguns desses funcionários'', afirmou.
A DaimlerChrysler tem em sua fábrica em São Bernardo cerca de 11.500 funcionários. A empresa nunca tinha demitido ninguém por esse motivo, segundo o sindicato.
No Brasil, não há leis que regulamentem com profundidade o direito da empresa de monitorar o conteúdo digital armazenado em programas de e-mails ou microcomputadores de funcionários por empresas.
Neste ano, em caso parecido, a Primeira Turma do TST (Tribunal Superior do Trabalho, a instância final da Justiça trabalhista brasileira) reconheceu o direito do empregador de obter provas com o rastreamento do e-mail de trabalho do empregado para demiti-lo com justa causa.
O procedimento foi adotado pelo HSBC Seguros Brasil S.A. depois de tomar conhecimento da utilização, por um funcionário de Brasília, do correio eletrônico corporativo para envio de fotos de mulheres nuas aos colegas. O empregado demitido recorreu ao STF (Supremo Tribunal Federal, a instância máxima da Justiça brasileira) e ainda tem chances de reverter a decisão.
Banheiro - A Ford anunciou hoje que a gerência da unidade da empresa na cidade de Wayne (Michigan) irá monitorar o tempo que os funcionários gastam em idas ao banheiro.
Segundo memorando emitido pela unidade, muitos de seus 3.500 funcionários gastam mais do que os 48 minutos permitidos por turno para usar o banheiro. O tempo perdido estaria reduzindo a produção dos SUVs (veículos utilitário-esportivos, na sigla em inglês) Ford Expedition e Lincoln Navigator. ''No ambiente competitivo de hoje é importante que a fábrica de Michigan elimine imediatamente essa preocupação para evitar os riscos associados à segurança, qualidade, entrega, custo e moral'', diz o o memorando, segundo reportagem do jornal ''Detroit News''.
Funcionários dizem que a medida é um meio de desviar a atenção do real problema: a queda nas vendas dos modelos produzidos na fábrica após as altas dos preços do petróleo.
A porta-voz da Ford Anne Marie Gattari disse ao diário que o limite de 48 minutos para usar o banheiro consta de acordo com a UAW (principal sindicato do setor nos EUA).


