Porcelana Schmidt demite 221 funcionários em Campo Largo
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quarta-feira, 30 de maio de 2007
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Porcelana Schmidt demitiu 221 funcionários que trabalhavam na fábrica de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. A empresa também cortou outros 120 trabalhadores da unidade de Mauá (SP) e 100 na fábrica de Pomerode (SC). O presidente do Sindilouça-PR (sindicato patronal), José Canisso, disse que a empresa estaria passando por um processo de reestruturação e, por este motivo, teve que realizar as demissões. Uma funcionária da empresa que não quis se identificar confirmou que a reestruturação está nas mãos de uma consultoria de São Paulo. Antes dos cortes, o grupo empregava 1.500 funcionários. Os diretores da fábrica de Campo Largo e da matriz em São Paulo não quiseram se pronunciar sobre o assunto.
Em reportagem publicada ontem pelo Diário do Grande ABC, o diretor da empresa Harry Arno Schmidt revelou que a concorrência com os produtos da China tem sido desleal para a fabricante brasileira, o que obrigou a Schmidt a cortar custos. Na matéria, ele declara que o produto chinês chega até um terço mais barato do que o nacional, o que faz a empresa perder mercado. Ainda segundo a
Para os funcionários de Mauá, foi feita a proposta de parcelar o pagamento das rescisões em até 24 meses. Para os demitidos no Paraná, a empresa também quer parcelar as rescisões. Segundo o presidente do sindicato dos trabalhadores da região de Mauá, Antonio Fortunato Batista, na última semana, a empresa anunciou que não tinha dinheiro para saldar todas as rescisões em parcela única, especialmente no caso dos salários mais altos.
Na edição de 15 de maio, a Folha tinha adiantado, com exclusividade que, os 600 funcionários estavam com os salários de abril atrasados e ameaçavam fazer greve. A unidade do Paraná produz pratos e travessas, a catarinense xícaras e pires e a de São Paulo faz a decoração das peças. Só no Paraná, são fabricadas 2,6 milhões de peças por mês.
''A Schmidt foi um caso isolado do setor em Campo Largo. As outras empresas do setor não estão voando em céu de brigadeiro mas, estão vendendo'', disse Canisso. Campo Largo é um pólo de cerâmica, porcelana, piso e revestimento e conta com 36 empresas que empregam juntas 6 mil funcionários. ''Antigamente, as empresas empregavam muito mais'', disse. Segundo ele, os empregos foram reduzidos em função das terceirizações.
Cerca de 80% da argila usada pelas fábricas é da própria região. As empresas têm uma produção anual de 400 milhões de peças e um faturamento de R$ 800 milhões por ano. Hoje, 68% da produção do setor é vendida para São Paulo. Os três Estados do Sul consomem apenas 7% do total.
Segundo ele, os maiores entraves hoje para o setor são o custo alto da energia elétrica e do gás natural. Além disso, o segmento sofre com a alta carga tributária, o custo do transporte e a concorrência dos produtos chineses.


