Por unanimidade, Copom decide manter Selic em 6,5% ao ano
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quinta-feira, 07 de fevereiro de 2019
Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues Agência Estado 
Brasília - Os membros do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiram, por unanimidade, manter a Selic (os juros básicos da economia) em 6,5% ao ano. Com isso, a taxa permaneceu no nível mais baixo da série histórica do Copom, iniciada em junho de 1996. Foi a sétima manutenção consecutiva da taxa neste patamar.
A decisão - a primeira após Jair Bolsonaro (PSL) ter assumido a Presidência da República - era largamente esperada pelos economistas do mercado financeiro. De um total de 51 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, todas esperavam pela manutenção da Selic em 6,50% ao ano.
A reunião também deve ter sido a última de Ilan Goldfajn no comando do BC. Para o próximo encontro, marcado para 19 e 20 de março, a tendência é de que o economista Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro para a presidência da autarquia, já tenha passado pela aprovação do Senado.
INFLAÇÃO
Ao justificar a decisão, o BC afirmou por meio de comunicado que a manutenção da Selic reflete seu cenário básico e balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2019 e, com peso menor e gradualmente crescente, de 2020.
No documento, o BC também atualizou suas projeções para a inflação. No cenário de mercado - que utiliza expectativas para câmbio e juros do mercado financeiro, compiladas no relatório Focus -, o BC manteve projeção para o IPCA de 2019 em 3,9%. No caso de 2020, a expectativa foi de 3,6% para 3,8%.
No cenário de referência, em que o BC utilizou uma Selic fixa a 6,50% e um dólar a R$ 3,70 nos cálculos, a projeção para o IPCA em 2019 passou de 4,0% para 3,9%. No caso de 2020, o índice projetado continuou em 4,0%. As projeções anteriores constaram no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado em dezembro. O centro da meta de inflação perseguida pelo BC este ano é de 4,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,75% a 5,75%).
REPERCUTE
O avanço das reformas, especialmente a da Previdência Social, permitirá a redução da taxa básica de juros no médio prazo. A avaliação é do presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Robson Braga de Andrade. "As reformas abrirão espaço para mudanças na política monetária. É provável - e desejável - que, no médio prazo, os juros sejam reduzidos para estimular os investimentos das empresas e o consumo das famílias", afirma Robson Andrade, em nota.
Segundo o comunicado, a estabilidade do dólar e a lenta recuperação da economia também contribuíram para a decisão do Copom. A nota da CNI destaca ainda que, somente com mudanças estruturais na economia, os juros podem voltar a ser reduzidos para estimular os investimentos das empresas e o consumo das famílias. A confederação defende políticas que diminuam o gasto público e promovam a recuperação econômica sustentável.
Também em nota, o presidente da Força Sindical, Miguel Torres criticou a decisão do Copom. "Conservar a taxa nos atuais 6,5% ao ano, não ajuda em nada a combater de forma eficaz o desemprego. A taxa Selic continua extremamente proibitiva e, mais uma vez, o Brasil, em razão do excessivo conservadorismo daqueles que dirigem a economia do País, deixa escapar a oportunidade de apostar todas as suas fichas no setor produtivo. "


