Curitiba - De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em termos regionais, os maiores crescimentos ocorreram no Norte e no Centro-Oeste. No Nordeste, houve retração do consumo, basicamente em razão da queda da demanda industrial na região. Esses resultados foram apurados pela EPE junto aos agentes que atuam no setor elétrico brasileiro.
Na indústria, o consumo de energia elétrica durante o mês de junho totalizou 15.350 GWh, crescimento de 1,1% frente ao mesmo mês de 2010. A retração da demanda no Nordeste foi determinante para este resultado. A saída da Novelis (alumínio) na Bahia (cerca de 33% do consumo industrial regional), a parada temporária (20 dias) da alagoana Braskem (petroquímica) e a redução da produção, para ajuste de estoque, da Coteminas (têxtil) na Paraíba, explicam o resultado. O consumo industrial nesses três estados recuou 10%, 34% e 11,5%, respectivamente.
No Sudeste, o consumo industrial de energia cresceu 0,9%, a menor taxa em 18 meses. Essa queda se explica, em parte, pela retomada da autoprodução de energia na indústria siderúrgica fluminense. A expansão do consumo nas regiões Norte e Centro-Oeste reflete os efeitos da entrada de novas cargas no Pará (indústria de ferroníquel) e em Goiás (indústria mineradora).
O consumo comercial aumentou 5,5% em junho, totalizando 5.721 GWh. À exceção do Nordeste (1,1%), houve forte crescimento em todas as regiões, com taxas que variaram de 5,6% (Sudeste) a 8,0% (Sul). No Nordeste, a expansão modesta esteve relacionada, em parte, aos feriados de Corpus Christi e São João, ambos prolongados, que impactaram a atividade comercial e de serviços. No Sul, as taxas de crescimento foram elevadas em todos os estados, com destaque para Santa Catarina (11%). As concessionárias da região têm atribuído esse resultado em parte à reclassificação de condomínios residenciais para a classe comercial, conforme determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O consumo de energia pelas famílias cresceu 2,5% em junho, refletindo as alterações nas condições climáticas que ocorrem no período de transição do verão para o inverno austral. Acentuou-se, no mês passado, o declínio das temperaturas no Centro-Sul do país. Houve ainda chuvas fora do habitual no Nordeste.
No Sul, o crescimento foi baixo. Além da reclassificação de condomínios para a classe comercial (nesse caso, explicando uma expansão menor), houve o efeito da temperatura, fenômeno que se estendeu pela região Sudeste como reflexo das incursões de massas de ar frio. Nesta região, o crescimento foi baixo em Minas Gerais e no Rio de Janeiro (1,5%, em média). Apenas em São Paulo, o consumo residencial cresceu a taxas relativamente maiores (+4,6%). (A.B./Com Agência Estado)

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