Depois dos recentes sobressaltos das Bolsas de Valores, muitos investidores sacaram o dinheiro dos fundos de ações e de carteira livre, pois boa parte deles apresentou rendimento negativo por alguns dias. No entanto, ainda que a tendência dos mercados acionários para o curto prazo seja de indefinição, esses fundos têm boas perspectivas para os próximos meses, segundo especialistas. Além disso, ainda apuram rentabilidade bastante superior à da renda fixa este ano.
O diretor de Investimentos do Citibank, Luís Eduardo de Assis, vê com otimismo as perspectivas para as Bolsas no segundo semestre. Ele não acredita que o mercado de ações repita o desempenho expressivo do primeiro semestre, mas entende que deve superar a rentabilidade da renda fixa. O cenário político-econômico que fez das Bolsas a melhor aplicação este ano permanece inalterado, diz Assis: ‘‘O risco do País continua o mesmo, a expectativa de lucratividade das empresas não mudou e as ações estão bem mais baratas que há duas semanas.’’ Como a Bolsa vinha subindo muito no ano, os investidores acabaram usando a crise cambial asiática como pretexto para vender ações e embolsar lucros. Quanto aos solavancos recentes, Assis diz que serviram para mostrar algo óbvio, que muita gente esqueceu: ‘‘Aplicar em ações é um investimento de risco, e não deve ser feito no curto prazo.’’
O diretor de Administração de Carteiras do Banco de Boston, Fábio de Oliveira, estima que, em 12 meses, as Bolsas devem ganhar da renda fixa. Para ele, é mais indicado investir ao longo do tempo nos fundos de renda variável, e não de uma só vez. Assim, o risco de entrar na Bolsa no momento errado é diluído.
Nem todos os fundos foram afetados da mesma forma pela forte queda das Bolsas na semana retrasada. O IP Participações, da Investidor Profissional Gestão de Recursos, foi um dos que pouco sofreram com o recuo. Enquanto a Bolsa paulista caiu 14,99%, o IP Participações registrou queda de 1,90%. É que o fundo é constituído por ações de segunda e terceira linha (que são menos negociadas). Este ano, esses papéis têm avançado menos que as blue chips (ações mais comercializadas): até o dia 21, apurava alta de 25,44% no ano, comparado com 60,38% da Bolsa de São Paulo. No longo prazo, porém, tendem a apresentar desempenho mais consistente.

mockup