Por menos que uma diária
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segunda-feira, 06 de fevereiro de 2017
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 

A prática de permitir que os hóspedes façam reservas por períodos menores começa a ganhar mais espaço nos hotéis. Em Londrina, pelo menos três deles permitem que o hóspede permaneça até mesmo pelo período de duas ou três horas a fim de que possam descansar antes de uma nova reunião de negócios ou de pegar o voo de volta à cidade de origem, por exemplo. Para os hotéis, é uma maneira de manter os quartos ocupados, já que, devido à crise, a taxa de ocupação em todo o Brasil anda baixa. E para o hóspede, uma maneira de pagar o preço justo pelo tempo que permaneceu no estabelecimento. Em Londrina, a taxa de ocupação dos hotéis gira em torno dos 40%, conforme informou o Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Londrina (SindHotéis Londrina).
O day use, período em que o hóspede pode usufruir da infraestrutura do hotel durante o dia, por seis ou mais horas, já é há muito praticada pelos estabelecimentos hoteleiros. Mas a proposta, agora, é que o hóspede possa fazer check-in em qualquer horário do dia, ficar menos tempo que isso, se necessário, e pagar somente pelo período que permaneceu no estabelecimento, explica Pedro Xavier, sócio-fundador da HotelQuando.com, plataforma de reserva de pacotes de 3h, 6h, 9h e 12h em hotéis. Segundo ele, já há mais de 700 estabelecimentos com ofertas na plataforma, inclusive grandes redes como AccorHotels, Atlântica, Transamérica, Intercity, Blue Tree, GJP, Vert Hotéis, Nobile, Brazil Hospitallity Group e HPlus Hotelaria.
Ele conta que a demanda maior dos hotéis para a oferta desse tipo de reserva começou após a Copa. "Muitas cidades aumentaram o número de hotéis e quartos e, quando acabou a Copa, viram a ocupação despencar." Para Xavier, os pacotes de menor duração permitem rentabilizar os quartos ociosos, de maneira que é possível alocar mais de um hóspede em um mesmo quarto ao longo do dia. A demanda vem, principalmente, do público corporativo, formada por viajantes que procuram um local para tomar banho e descansar entre reuniões de negócios, por exemplo. "Outra demanda é da própria cidade do interior, que não tem muitos atrativos mas tem um hotel bacana", diz Xavier. Nesse caso, o hóspede passa parte do dia no hotel usufruindo do restaurante ou da piscina do estabelecimento, por exemplo, como no day use. Segundo o sócio-fundador, os hotéis que usam a plataforma ainda estão nas capitais, mas a ideia é expandir para o interior. "Para todas as cidades é viável. Basta ter quartos vazios."
Na visão de Alzir Bocchi, presidente do SindHotéis Londrina, esse é um modelo interessante para os hotéis da cidade. "Acho uma excelente ideia, porque se estou no trânsito para uma cidade como Londrina e me sinto cansado, tenho horas ociosas aqui e gostaria de tomar um banho, comer uma refeição, assistir TV, tenho que pagar uma diária cheia. Não acho muito justo, gostaria de pagar proporcionalmente. Acredito que nossos estabelecimentos devam se adequar à modernidade, à realidade mundial hoje." A ocupação dos hotéis em Londrina, segundo ele, especialmente nos meses de janeiro, fevereiro e março, é "péssima" e gira em torno dos 40%.
Já na opinião de Arnaldo Falanca, gestor do Londrina Convention Bureau, oferecer reservas de poucas horas em hotéis é "arriscado", até mesmo para a imagem dos estabelecimentos. "Não sei se é o melhor caminho começar a oferecer espaços para curta permanência. É algo novo e arriscado para os hotéis." A proposta da entidade, conforme Falanca, é oferecer roteiros turísticos para que o turista permaneça mais tempo na cidade.

Estratégia
"Isso aumenta a nossa possibilidade de ocupação ou receita", diz Marcio Kestering, gerente do Ibis em Londrina, sobre os pacotes com menos horas de duração. Dez hóspedes já usufruíram dessa possibilidade desde que o hotel começou a oferecê-la, há cerca de um mês, conta o gerente. A tarifa é de R$ 29 a hora - sendo que a reserva tem de ser feita para no minimo duas -, e tem preços promocionais se o hóspede fica seis ou nove horas. Kestering afirma que a rede adotou a estratégia a fim de manter alta a ocupação dos estabelecimentos, especialmente nesse período de crise, que afetou também o ramo hoteleiro - em janeiro, a ocupação do hotel em Londrina ficou em 51%. A oferta, no entanto, é voltada apenas ao público corporativo que realiza viagens de negócios. Por isso, antes de se hospedar, é preciso apresentar a reserva de avião ou ônibus.


