Apesar da queda dos preços dos microcomputadores e da popularização da internet, a maioria dos brasileiros ainda não tem acesso ao mundo virtual. É o que revela suplemento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2008, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).
O número de pessoas que acessaram a internet no Brasil aumentou 75,3% entre 2005 e 2008. Um total de 56 milhões de pessoas com 10 anos ou mais de idade tiveram acesso à rede, pelo menos uma vez, nos três meses anteriores à data da entrevista. Trata-se de 34,8% da população com esta faixa etária, contra 20,9% que acessavam à internet em 2005. Por outro lado, 104,7 milhões de pessoas acima de 10 anos não utilizaram a rede, o correspondente a 65,2% do total dos pesquisados.
''Os avanços de 2005 a 2008 foram fantásticos, mas ainda vivemos uma apagão digital que está ligado aos níveis de educação e distribuição de renda'', declarou o coordenador da pesquisa, Cimar Pereira Azeredo, em entrevista à Reuters.
Nas regiões consideradas mais pobres do país, o acesso à internet ganhou velocidade, segundo a pesquisa. Na região Norte, o total de usuários passou de 12 para 27,5% da população. No Nordeste, passou de 11,9 para 25,1%. ''Vários fatores explicam o maior acesso entre os mais pobres. O acesso está mais barato e as lan houses estão mais espalhadas pelo país. Além disso, a renda do brasileiro e a escolaridade aumentaram em relação a 2005'', avaliou Azeredo.
Nas regiões mais ricas do Brasil, os percentuais de acesso são bem mais elevados. Entre as Unidades da Federação, o Distrito Federal destacou-se com 56,1%. São Paulo (43,9%), com 12,2 pontos percentuais abaixo, é o segundo colocado; Rio de Jeneiro (40,9%) é o terceiro, e Paraná e Santa Catarina aparecem empatados em seguida com 40,2%. Na Região Metropolitana de Curitiba, 50,3% dos 2.762 pesquisados acessaram. Alagoas aparece com o menor percentual, com apenas 17,8% de acessos.
Os mais jovens são os que mais acessam a rede mundial de computadores. Entre 15 e 17 anos, 62,9% acessaram a rede. A partir deste grupo etário o percentual é decrescente com a idade.
O levantamento mostra ainda que o acesso à Internet é maior entre a população de maior escolaridade, entre quem recebe melhores salários e entre a população ocupada. Para ter uma idéia, 80% dos que têm mais de 15 anos de estudos, entraram na rede contra 23,4% entre o grupo com quatro a sete anos de estudos. Porém, entre 2005 e 2008, o acesso foi maior entre aqueles com menos anos de estudo. Em relação à profissão das pessoas, os grupamentos ocupacionais que exigem menos escolaridade tiveram a menor proporção de acessos. É o caso dos trabalhadores agrícolas (4,6%), serviços domésticos (12%) e construção civil, com 18,1%.

mockup