Arquivo FolhaSilvano Valentino, da AnfaveaA indústria automobilística produziu e vendeu no mês passado 82.100 carros ‘‘populares’’, 66,2% do total de automóveis nacionais vendidos pelas montadoras. É a maior fatia de mercado conquistada pelos modelos 1.0 desde o início da produção, em 93. Hoje, de cada três carros que deixam a linha de montagem das fábricas, dois são modelos ‘‘populares’’. Em agosto de 96, os carros com motor 1.0 representavam 57,4% das vendas.
Silvano Valentino, presidente da Anfavea (associação das montadoras), diz que a produção e a venda dos ‘‘populares’’ devem aumentar nos próximos meses. ‘‘Para crescer, a indústria tem de contar com o aumento da produção e venda dos carros básicos’’, disse Valentino. O presidente da Anfavea diz que as montadoras já descobriram que ‘‘é possível ter lucro com o carro pequeno’’.
Em agosto, a venda de veículos no atacado (nacionais e importados) chegou a 182.426 unidades, 6,1% mais que em julho. Esse número inclui também caminhões e ônibus. Do total geral, os ‘‘populares’’ ficaram com 45%.
O modelo ‘‘popular’’ mais vendido é o Gol, da Volkswagen (177.409 unidades, de janeiro a agosto deste ano). O Palio, da Fiat, aparece em segundo (156.910). A Fiat ainda é a marca que mais vende automóveis com motor 1.0. As vendas do Palio e do Uno Mille, somadas, atingiram 218.755 unidades nos primeiros oito meses deste ano.
A produção de veículos voltou a crescer em agosto. As montadoras fabricaram 191.606 unidades, 8,12% mais que no mês anterior. Nos últimos 12 meses, a produção já superou a marca de 2 milhões de unidades e deve continuar crescendo.
As montadoras prevêem novos recordes este mês e em outubro. Em setembro, serão produzidos 205.228 veículos, média de 9.329 por dia. Em outubro, 209.348 (9.102 por dia).
Valentino não teme o excesso de produção e diz que o nível de estoque - 112.062 unidades, suficientes para 19 dias de vendas - é ‘‘muito bom’’. No final de julho, as concessionárias tinham 105.600 veículos estocados - carros, caminhões e ônibus.
Para o presidente da Anfavea, os estoques ‘‘contribuem para a estabilidade econômica do País’’. Com oferta maior, avalia, o consumidor encontra o carro que deseja e pode negociar descontos.
Parte do aumento de produção vai para o mercado externo. No mês passado, as montadoras exportaram 34.528 unidades, 14,2% mais que em julho. Entre janeiro e agosto, foram exportados 241.996 veículos, 27,3% acima do resultado do mesmo período de 96. O setor gerou receita de US$ 2,4 bilhões, 20% acima do desempenho registrado entre janeiro e agosto de 96.
Com a exportação de peças e veículos completos e desmontados, a indústria espera faturar US$ 4,8 bilhões até o final do ano e terminar 97 com a balança equilibrada. Ou seja, vão importar em 97 carros e componentes no valor máximo de US$ 4,8 bilhões.
‘‘O regime automotivo prevê aumento de exportações, mas não garante equilíbrio’’, explicou Valentino. Apesar disso, a indústria vai fechar 97 sem déficit, afirma, excluindo-se da conta a compra de máquinas e ferramentas.
As importações também foram maiores em agosto do que no mês anterior. A alta foi de 9,9%, com 23.264 veículos importados. De janeiro a agosto, as montadoras e as marcas sem fábricas instaladas no país importaram 153.771 veículos, 62,1% mais que em 96.

mockup