População vê crescimento dependente da indústria
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terça-feira, 10 de junho de 2014
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O investimento na indústria é primordial para o desenvolvimento da economia brasileira, segundo 90% das pessoas entrevistadas na pesquisa "Retratos da Sociedade Brasileira A indústria brasileira na visão da população", contratada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) junto ao Ibope. Apesar de metade estar otimista para os próximos cinco anos, a percepção é de que o setor vive um período de crise, principalmente pelo peso do sistema tributário e pela falta de trabalhadores qualificados no País.
Segundo o estudo da CNI, 65% dos brasileiros concordam total ou parcialmente que os empregos na indústria são mais gratificantes, mesmo que considerem que são limitadas as chances de crescimento (60%), que há menor estabilidade (55%) e que o ambiente é mais sujo do que os demais (51%). Uma das conclusões da pesquisa é que, "para a população brasileira, a indústria tem papel de destaque no desenvolvimento econômico e social do País".
Economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Francisco Castro diz que a percepção condiz com a realidade, principalmente porque o setor que mais emprega é o de serviços, com grande peso do comércio, que não paga tão bem quanto o industrial. "A indústria também gera um encadeamento de renda e empregos na região onde se instala, porque demanda mais serviços, mais matéria-prima e gera mais recursos", diz.
O professor de economia Joilson Dias, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), afirma que o problema é que o País carece de mão de obra qualificada e perde investimentos para outros emergentes, como a China. "Essa é nossa grande deficiência e demoraram muito para fazer alguma coisa. Só agora estão investindo no Pronatec", diz, ao citar o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, criado pelo Governo Federal em 2011 para ampliar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica.
A crítica de Dias não passa despercebida pela população, já que 60% acreditam que o setor está em crise no Brasil e 57% veem o País em processo de desindustrialização, segundo a CNI. Visão justificada pela sensação de que o setor está em pior situação do que os concorrentes do exterior em relação a impostos (36%), qualificação da mão de obra (28%), tecnologia (21%), infraestrutura (21%) e legislação trabalhista (19%). "É o que se chama de Custo Brasil, porque são os fatores que impactam na perda de competitividade", explica Castro.
Para ambos os economistas, não há perspectiva de melhoria no cenário nos próximos dois anos. "A qualificação da mão de obra é a única que pode ocorrer, mas em cinco anos", cita o professor da UEM, para quem nada tem sido feito para corrigir problemas de infraestrutura ou para uma reforma tributária. "No ano que vem vamos precisar de ajustes e reformas, mas o resultado não virá de imediato", completa Castro.



