População desempregada soma 12,984 milhões de pessoas no trimestre até maio
Total de desalentados e trabalho por conta própria alcançam recorde no período, aponta IBGE
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de junho de 2019
Total de desalentados e trabalho por conta própria alcançam recorde no período, aponta IBGE
Daniela Amorim - Agência Estado 

Rio - O País tinha 12,984 milhões de pessoas em busca de emprego no trimestre encerrado em maio deste ano, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
No entanto, houve melhora em relação ao mesmo período do ano anterior: há menos 206 mil desempregados ante maio de 2018, o equivalente a um recuo de 1,6%.
O total de ocupados cresceu 2,6% no período de um ano, o equivalente à criação de 2,361 milhões de postos de trabalho. Como consequência, a taxa de desemprego passou de 12,7% no trimestre até maio de 2018 para 12,3% no trimestre encerrado em maio de 2019.
O contingente de inativos recuou 0,7% em maio deste ano ante maio do ano passado, 463 mil pessoas a menos nessa condição.
O nível da ocupação, que mede o porcentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, foi estimado em 54,5% no trimestre até maio deste ano, ante 53,6% no trimestre até maio de 2018. No trimestre até fevereiro de 2019, o nível de ocupação era de 53,9%.
TOTAL DE OCUPADOS
O País registrou 1,067 milhões de ocupados a mais no mercado de trabalho em apenas um trimestre, enquanto 70 mil pessoas deixaram o contingente de desempregados, segundo o IBGE. A taxa de desemprego passou de 12,4% em fevereiro para 12,3% em maio de 2019.
Apesar do aumento na ocupação, o contingente de desempregados não recuou mais porque houve pressão da redução na população inativa.
A população inativa totalizou 64,684 milhões no trimestre encerrado em maio, 777 mil a mais que no trimestre anterior.
DESALENTADOS
O Brasil registrou uma população recorde de 4,905 milhões de pessoas em situação de desalento no trimestre encerrado em maio, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado significa 93 mil desalentados a mais em relação ao trimestre encerrado em fevereiro. Em um ano, 175 mil pessoas a mais caíram no desalento.
A população desalentada é definida como aquela que estava fora da força de trabalho por uma das seguintes razões: não conseguia trabalho, ou não tinha experiência, ou era muito jovem ou idosa, ou não encontrou trabalho na localidade - e que, se tivesse conseguido trabalho, estaria disponível para assumir a vaga.
Os desalentados fazem parte da força de trabalho potencial.
PRÓPRIO NEGÓCIO
O trabalho por conta própria alcançou um contingente recorde de 24,033 milhões de brasileiros no trimestre encerrado em maio, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em apenas um ano, o trabalho por conta própria ganhou a adesão de 1,170 milhão de pessoas. Em um trimestre, foram 322 mil trabalhadores a mais nessa condição.
O trabalho sem carteira assinada no setor privado também cresceu, para um total de 11,384 milhões.
O emprego sem carteira no setor privado aumentou em 372 mil vagas em um ano. Em um trimestre, foram 309 mil trabalhadores a mais.
A população ocupada totalizou 92,947 milhões de trabalhadores no trimestre encerrado em maio.
O mercado de trabalho abriu 243 mil vagas com carteira assinada no setor privado em relação ao trimestre terminado em fevereiro. Na comparação com o trimestre encerrado em maio de 2018, foram criados 521 mil vagas formais no setor privado.
AVANÇO
O avanço expressivo de pessoas ocupadas no País mostra uma melhora quantitativa no mercado de trabalho, mas ainda não qualitativa, avaliou Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE. O total de ocupados aumentou em 1,067 milhão de pessoas no trimestre encerrado em maio, em relação ao trimestre terminado em fevereiro.
No entanto, a Pnad Contínua ainda exibe recordes negativos, como no desalento e na subocupação por insuficiência de horas trabalhadas.
"Desse um milhão (de ocupados a mais), cerca de 600 mil é aumento de população subocupada por insuficiência de horas. É como se eu não tivesse usando toda a capacidade que esse meu ocupado pode dedicar ao trabalho. As pessoas estão trabalhando sim, mas mais de 60% manifestam uma vontade de trabalhar mais para ter um rendimento maior. E essa demanda não está sendo atendida", disse Adriana.
Segundo a pesquisadora, há mais pessoas trabalhando, mas a análise sobre a forma como estão se inserindo no mercado deve levar em consideração a questão da contribuição previdenciária, a produtividade da economia e a qualificação, por exemplo.
"Tem de fato uma melhora quantitativa no mercado de trabalho. Você vê mais pessoas trabalhando. Agora a forma que as pessoas estão se inserindo no mercado de trabalho é outro enfoque. É obvio que é melhor ter algum trabalho do que nenhum", lembrou Adriana.
Apesar do avanço no total de pessoas trabalhando, a proporção de ocupados contribuindo para a Previdência Social recuou de 63,7% no trimestre encerrado em fevereiro para 63,1% no trimestre terminado em maio.
"Eu tenho mais pessoas ocupadas, mas a minha proporção de pessoas contribuindo para a Previdência caiu. Isso é mais um elemento para as análises", concluiu a pesquisadora.


