O maior medo da população de baixa renda é a inflação: 35% temem a volta da inflação dos ‘‘produtos em geral’’ e 30% temem a alta dos preços dos alimentos. Já 20% dos entrevistados temem a perda do emprego. O medo de não conseguir pagar as prestações aflige 13%.
  Os dados mostram uma população cautelosa: 45% prevêem um Natal mais magro que o do ano passado. Para 31%, o Natal deste ano será igual ao de 2007 e 21% planejam uma festa mais farta. A pesquisa indica que os cortes no orçamento já começaram. Numa pergunta de múltipla escolha, 26% dos entrevistados afirmaram ter cortado algum item da cesta básica e 24% abriram mão de algum lazer; 20% pararam de pagar alguma dívida, enquanto 21% afirmaram não ter cortado nada.
  Questionados sobre ‘‘o que deve acontecer com o crescimento da economia brasi-leira’’, 56% declararam que ela deve crescer ‘‘mais lentamente’’. Para 23%, o ritmo não muda e 18% acreditam que a economia vai ‘‘parar de crescer’’. A pergunta foi precedida da afirmação de que ‘‘nos últimos anos o Brasil construiu uma economia sólida e incluiu socialmente milhões de pessoas’’.
  Quando a pergunta é sobre a percepção em relação ao futuro da economia - como será 2009, em relação a 2008, o otimismo aumenta: 39% afirmam que 2009 será melhor e 15% dizem que será muito melhor. Para 26%, o próximo ano será igual. Entre os pessimistas, 12% acham que 2009 será pior e 3%, que será muito pior.
  Para o diretor de atendimento do Ibope Inteligência, Hélio Gastaldi, o instituto subestimou a percepção das classes C e D em relação à crise. ‘‘Quando estávamos elaborando as perguntas, queríamos saber se as pessoas já tinham ouvido falar da crise’’, afirma. ‘‘E essas pessoas não só já tinham ouvido falar como já estavam com a crise dentro de casa. Já tinham tomado medidas e se programado para agir de forma diferente.’’
  Gastaldi avalia que a população de baixa renda tem muita clareza da crise, mas não consegue dimensionar a profundidade. ‘‘Esse segmento vive muito no curto prazo. A crise é hoje. Eles não têm instrumental para pensar no que vai acontecer num período mais longo, em um ou dois anos. Mas estão otimistas, não querem perder o que foi conquistado.’’
  A agência 141 SoHo Square, que tem entre clientes empresas que vendem para a baixa renda, como Avon e Marabrás e o governo federal, também quis saber a percepção da população quanto ao preparo do governo para enfrentar a crise. Só 16% acreditam que o governo está bastante preparado e conseguirá resolver a situação. Para 43%, o governo está preparado, mas terá dificuldades para resolver a situação. Um grupo nada desprezível de 38% acredita que o governo não está preparado para enfrentar a crise.
  ‘‘Está todo mundo lutando para preservar o que foi conquistado’’, diz Mauro Motoryn, presidente da agência. ‘‘Ele está otimista que 2009 será melhor e está fazendo sua parte, contendo um pouco os gastos.’’ Para Motoryn, o presidente Lula conseguiu traduzir a crise para a população. ‘‘As pessoas entenderam o que o Lula falou e estão fazendo a sua parte, apertando um pouco o cinto. Estão otimistas, pois são otimistas por natureza, e estão sendo realistas por necessidade.’’ (M.B./AE)

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