População ainda têm dúvidas sobre transgênicos
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sexta-feira, 04 de agosto de 2006
Agência Graffo 
São Paulo - A primeira safra comercial de soja transgênica foi semeada há dez anos, por fazendeiros norte-americanos. A rápida adoção dessa tecnologia fez com que ambientalistas, organizações ligadas ao meio-ambiente e consumidores rejeitassem esses produtos. De acordo com dados do Ministério da Agricultura e Abastecimento, os principais pontos de preocupação em relação aos transgênicos para os ambientalistas incluem a capacidade do gene escapar e ser potencialmente introduzido em populações selvagens, a persistência do gene após o organismo geneticamente modificado (OGM) ser colhido, a estabilidade do gene e o aumento do uso de produtos químicos na agricultura.
A segurança de se consumir alimentos transgênicos também é questionada. Segundo informações do Ministério da Agricultura, ''cada alimento geneticamente modificado e sua segurança devem ser avaliados caso a caso.''
Apesar da aprovação da Lei de Biossegurança ter aberto caminho para a expansão da soja transgênica no Brasil, muitas companhias optaram por não produzir nem comercializar produtos com organismos geneticamente modificados. Essa foi a principal conclusão do ''Relatório Brasileiro de Mercado: a Indústria de Alimentos e os Transgênicos'', divulgado pelo Greenpeace, e é o caso da Caramuru Alimentos, grande processadora de grãos de capital nacional do Brasil, que investe, desde 2000, na produção e exportação de derivados de soja não-transgênicos para o mercado europeu.
A pesquisa do Greenpeace constatou também que nenhuma das empresas consultadas quis ter seu nome associado aos produtos transgênicos, temendo rejeição dos consumidores. Desde 2002, quando o Greenpeace encomendou a primeira pesquisa sobre a opinião dos consumidores brasileiros a respeito dos produtos geneticamente modificados, o índice de rejeição aos transgênicos é superior a 70%.
Atualmente, alimentos transgênicos encontrados no mercado internacional passaram por avaliações de risco e, provavelmente, não apresentam danos para a saúde humana, de acordo com informações do Ministério da Agricultura. Por enquanto, nenhum efeito à sa© úde humana foi demonstrado como resultado do consumo destes alimentos pela população, nos países onde foram aprovados.
Cientistas e produtores que confiavam na tecnologia estão cada vez mais certos de sua segurança e benefícios. Em contrapartida, ambientalistas e defensores da agricultura familiar ainda classificam os transgênicos como uma ameaça e a população continua insegura em relação ao consumo desses produtos.


