Pool consegue aumentar preço do leite
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quinta-feira, 16 de agosto de 2001
Denise Angelo<BR>De Ponta Grossa 
Alta produtividade com excelente qualidade os produtores de leite da região dos Campos Gerais sempre tiveram. Mas mesmo assim, ficavam reféns de uma única indústria, que comprava toda a produção e pagava o preço que lhe convinha. Indignados com essa situação, os produtores associados à Cooperativa Castrolanda, criaram no final do ano passado, um pool de leite e conseguiram outras duas grandes empresas compradoras.
O resultado alcançado pelos produtores foi imediato e o preço do leite apresentou melhoras significativas, que passam de 10%. No mês passado, por exemplo, os produtores da região receberam cerca de R$ 0,39 por litro de leite comercializado, enquanto na região Sul do Paraná, os produtores entregaram o leite por R$ 0,28.
Como a idéia deu certo, o projeto foi ampliado. Há três meses, o pool da Castrolanda passou a abranger também os produtores associados à Cooperativa Batavo. Hoje são mais de 400 produtores que trabalham nesse sistema.
Segundo o técnico da área de leite da Castrolanda, Marcos Barreto Vaz, uma das indústrias que hoje compra o leite produzido na região dos Campos Gerais é de Minas Gerais. ''Mesmo tendo o alto custo do frete a empresa prefere comprar o nosso leite por causa da qualidade'', considera.
A qualidade pode ser observada através de alguns índices que os produtores têm obtido e que estão sendo mostrados na 1 Agroleite, feira que está sendo realizada desde terça-feira, no Parque Dario Macedo em Castro (45 km ao norte de Ponta Grossa). O evento tem o objetivo de discutir toda a cadeia produtiva do leite.
A produtividade média na região é de 7 mil litros/vaca/ano enquanto no restante do Estado a média não passa de 1,2 mil. A média diária de entrega de leite por produtor é de 1.080 litros, quase três vezes mais do que o obtido em outras regiões do Estado. Por mês, o pool entrega 12 milhões de litros de leite.
O índice de bactérias existentes no leite é quase dez vezes menor que o limite máximo permitido pelo Ministério da Agricultura. O índice não passa de 150 mil UFCs (União de Formação de Colônias), enquanto a portaria do Ministério da Agricultura, que entra em vigor no ano que vem, estabelece um limite máximo de 1 milhão de UFCs.
Outro índice que orgulha os produtores é o de células somáticas, que tem se mantido abaixo das 200 mil células por mililitro de leite. A importância de manter baixo o índice de células somáticas está diretamente relacionado ao rendimento do leite, especialmente para a produção de alimentos, como queijos e sobremesas.
A Agroleite termina no próximo domingo, promovendo discussões sobre a cadeia leiteira e mostrando todas as inovações genéticas e tecnológicas do setor. A intenção é tornar a bacia leiteira de Castro num pólo irradiador de tecnologia para aumentar a qualidade e a produtividade de leite em todo o Paraná. Quem pretende visitar a feira deve seguir pela PR-151, na estrada que leva à Castrolanda.


