Ocupação de espaços privados é a saída encontrada pelos comerciantes, que não podem atuar em locais públicos
Ocupação de espaços privados é a saída encontrada pelos comerciantes, que não podem atuar em locais públicos | Foto: Marcos Zanutto


É oficial: os londrinenses abriram o coração para receber os food trucks. A explosão dos chamados "carros de comida" começou em Londrina em 2015 e a cada dia tem tomado mais espaço na rotina dos moradores da cidade. Um exemplo disso é a quantidade de pessoas que participam dos encontros de food trucks que ocorrem durante a semana em diferentes regiões - seja para saborear uma comida diferente, um chope artesanal ou bater um papo com vizinhos.

Em determinados dias da semana, estacionamentos de construtoras, de concessionárias e de mercados assumem uma nova função e, por causa dos food trucks, tornam-se opção de lazer para a população que vive no entorno do local.
De acordo com o gerente comercial da Vanguard Home, Rodolfo Sugeta, a ideia de utilizar o estacionamento surgiu da necessidade de oferecer mais opções de lazer gastronômico no bairro da zona sul. "Percebemos que os moradores dessa região careciam de um local como esse, com um ambiente mais informal e descontraído. Conversamos com alguns donos de food trucks, que aceitaram a parceria", conta

O proprietário de um dos primeiros food trucks da cidade, Saulo Soares da Rocha, ressalta a importância dessas parcerias, tanto para os comerciantes como para a população. "Por ainda não podermos atuar em áreas públicas, a única forma de trabalhar é fazendo essas parcerias. Nesses eventos buscamos proporcionar não só a alimentação, como também um programa de entretenimento completo para os londrinenses."

Se de um lado a empresa disponibiliza o espaço, de outro os food trucks retribuem com as centenas de pessoas que atraem para o local. "Com esses encontros semanais, prestamos um serviço para os clientes do mercado e também para aqueles que ainda não conhecem nosso espaço",explica Américo Rabelo, responsável pelo setor de Marketing do Mercadão da Prochet (zona sul).

Outros setores também notaram a importância desta iniciativa. "Fizemos essa parceria com os food trucks pensando também em inovar. Desta forma, conseguimos aproximar ainda mais os clientes e criar uma opção de lazer para essa região", explica Marcelo de Oliveira, gerente comercial da concessionária Fórmula Renault, localizada na zona oeste. Toda quarta-feira a empresa abre o estacionamento para abrigar um encontro de food trucks.

Juliana Dascal, frequentadora de um desses espaços, afirma que essa opção de lazer trouxe mais comodidade para os moradores da região. "Eu acho essa iniciativa legal, pois além de ser um lugar aberto, sempre encontramos vizinhos ou amigos. Outro diferencial também são as diversas opções para a alimentação, cada um tem a liberdade de escolher o que quer comer", afirma.

ACOMPANHAMENTO
Outro exemplo de "confraria" envolvendo food trucks é a de uma empadaria localizada na Gleba Palhano e uma kombi de cervejas artesanais. Ao participar de um evento de gastronomia, o sócio-proprietário da empadaria, Douglas Lopes, percebeu que muitos clientes degustavam a empada e a cerveja juntas. Pensando nisso, Lopes entrou em contato com os responsáveis da kombi e a parceria foi firmada. "Como nós gostamos de explorar esse lado da gastronomia, harmonização e valorização da cerveja artesanal, aceitamos o convite na hora", conta o proprietário do kombi, Mauro Cernev.

Uma vez por mês, o veículo se desloca até a grande calçada da empadaria e os clientes de ambos os negócios têm a chance de saborear os produtos. "Temos alguns sabores que casam muito bem com chope que eles oferecem, então acaba sendo um casamento perfeito", ressalta Lopes.

ALTERNATIVA
A ocupação de novos espaços e a criação de encontros foram saídas encontradas pelos vendedores, uma vez que nenhum dos food trucks possui autorização da Companhia Municipal de Transito e Urbanização (CMTU) para atuar nas ruas da cidade. No final de 2016 abrimos uma chamada para o cadastro e regulamentação dos carros, mas nenhum chegou até o fim do processo", explica Alexandre Zuliani, do setor de Espaço Público da companhia.

Contudo, Zulini conta que um novo edital será lançado em breve. "O primeiro edital, lançado em dezembro de 2016, era bastante burocrático e tinha um prazo para recebimento dos documentos muito curto, o que acabou impossibilitando os comerciantes de dar continuidade ao processo. Nessa nova chamada, algumas alterações vão ser feitas com o intuito de facilitar a aproximação dos food trucks com a CMTU", garante.

A falta do credenciamento com a companhia, no entanto, não impede que os carros atuem em locais privados, uma vez que a lei municipal 12.357, criada em novembro de 2015, permite o comércio de alimentos em food trucks e food bikes mediante aprovação do alvará de licença. A regulamentação junto à CMTU, por sua vez, possibilitará a presença desses veículos em espaços públicos de Londrina.

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