Em meio a tumulto e um pedido de impugnação, a rede Ponto Frio comprou ontem, por R$ 12,1 milhões, a massa falida da empresa Disapel, composta por 81 pontos espalhados pelos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O leilão, paralisado por diversas vezes, foi realizado em virtude de a Ponto Frio ter, nos últimos dias, protagonizado uma batalha judicial com a Casas Bahia pelo direito à aquisição.
Surpreendentemente, a Casas Bahia saiu do páreo logo após o juiz substituto da 4ª Vara da Fazenda Pública, Falências e Concordatas, em Curitiba, Rui Portugal Bacelar Filho, abrir o leilão. O diretor da empresa, líder nacional nas vendas a varejo de eletroeletrônicos, Michael Klein, justificou que a decisão foi tomada porque houve mudanças. Na prática, segundo ele, proprietários de 9 dos 81 imóveis leiloados (todos alugados) não aceitam a transferência dos contratos. ‘‘ O preço unitário iria subir muito’’, justificou.
A Ponto Frio, desta forma, enfrentou diretamente um terceiro grupo que apareceu pouco antes do leilão: a CR Mentz, de Portão (RS). O diretor José Ernesto Mentz disse que o grupo, quarto maior do setor no Rio Grande Sul, tem interesse principalmente no litoral do Paraná. Mas o máximo que ofereceu pelos pontos da Disapel foi R$ 11,1 milhão.
A sala de audiência da 4ª Vara da Fazenda Pública foi pequena para abrigar tantos empresários e curiosos em assistir ao leilão. A entrada da imprensa, por conta disso, limitou-se à porta de acesso, onde um oficial de Justiça bloqueou a passagem de quem se apresentasse como jornalista.
Confusão do lado de fora, tumulto do lado de dentro. O juiz Bacelar declarou aberto o leilão às 14h15. A Casas Bahia, que havia apresentado formalmente o valor de R$ 12 milhões, retirou-se do processo. Assim, o valor mínimo acabou sendo de R$ 11 milhões. O grupo gaúcho ofereceu R$ 11,1 milhões e a Ponto Frio R$ 11,3 milhões. Mas o representante da Santos Andirá Indústria de Móveis, credor da Disapel, Estefano Ulandowski, ameaçou impugnar o processo, através do chamado agravo de instrumento, porque defendia a validade da proposta de R$ 12 milhões apresentada antes.
O impasse só encerrou quando a Ponto Frio, finalmente, propôs R$ 12,1 milhões. O diretor geral do grupo, Conrado Gruenbaum, considerou um ‘‘bom negócio’’ e avisou que não tem o mesmo receio justificado pela direção da Casas Bahia. Se for preciso, disse, vai disputar os direitos com os donos dos imóveis.
Com a nova aquisição, a Ponto Frio forma a maior rede de lojas de eletroeletrônicos do País, com 347 lojas, à frente da Casas Bahia, que tem 274. Não há data para reabertura das novas lojas, mas a prioridade é para as capitais. Gruenbaum afirmou que, inicialmente, a idéia é absorver as 81 lojas, embora já tenha recebido propostas de compra dos pontos que não lhe interessarem.
Ontem mesmo o síndico da massa falida da Disapel, Clemenceau Calixto, começou a fazer as contas dos recursos necessários para pagamento das rescisões contratuais dos 1.250 funcionários. Hoje, todos serão recontratados pela Ponto Frio. A Justiça determinou garantia de emprego para um período de 180 dias e outros 180 dias para 85% dos funcionários. Com um passivo de R$ 120 milhões, a Disapel estava em regime de concordata desde janeiro de 1999. Em 1º de junho deste ano foi decretada a falência.

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