CENTRAL DE BOATOS
Pyr Marcondes, Diretor Editorial da revista Meio & Mensagem tocou num assunto que vem incomodando muita gente há algum tempo (ou será ‘‘desde tempos imemoriais?’’) na edição de 8 de fevereiro. O artigo de abertura vale ser lido por mais pessoas e, nessa suposição (ainda que não concordando inteiramente com seu tom radical), tomamos a liberdade de transcrevê-lo na íntegra:
‘‘Leandro e a Central de Boatos’’. ‘‘A cena foi descrita por Leandro Burti, em coquetel de lançamento no novo sistema Quantel, da Casa do Vaticano. Estava ele, calmamente, em frente a sua TV, com sua cachorrinha ao lado, quando entrou no ar a vinheta e a música do Plantão da Globo. Sua primeira reação foi olhar para sua fiel companheira e pensar em voz alta: ‘‘Agora foi tudo pro espaço’’. Em segundos, inúmeras possibilidades devem ter lhe ocorrido: nova maxi, confisco da poupança, queda do Malan, renúncia de Fernando Henrique, quem sabe? Não era nada disso. A má notícia era a morte do presidente da Funai.
Mas o tema aqui é: quantos de nós não trememos nas bases, naquele exato momento, solidários com Leandro? Quantas cenas de horror e quantos finais infelizes não imaginamos, sobressaltados, hoje, a cada espirro do noticiário.
Às notícias reais, que têm sido via de regra inquietantes, soma-se, no entanto, uma vasta produção de especulações, mentiras deslavadas e boatos, que só alimentam nossas incertezas e potencializam os sustos de todos nós, ‘‘Leandros’’ brasileiros.
Trata-se, justiça seja feita, de uma produção legitimamente nossa, coisas do talento brasileiro, dádivas da fértil imaginação nacional. A mesma que promove feriados bancários inexistentes, eleva o dólar a taxas inverídicas e se oferece à especulação como gata no cio.
A presteza e competência dessa Central de Boatos tem de bom apenas o que ela tem de ruim. E interessa apenas aos abutres dos mercados. Essa sede por carniça fresca é, aliás, velha conhecida nossa, tal é a frequência com que historicamente se manifesta em nosso negócio da propaganda.
Na semana passada, aliás, com o ânimo talvez renovado pela boataria no cenário econômico, a propaganda fez grandes contas mudarem de mãos, grandes nomes da criação deixarem suas agências, editoras inteiras serem vendidas, isso em uma semana em que a realidade foi pífia de fatos relevantes.
Nos momentos de crise, a Central Publicitária de Boatos surta e se multiplica em imaginação e descaramento. Produz pérolas, como a tal carta que andou circulando por aí, com descalabros apócrifos sobre uma grande concorrência do mercado.
Muita coisa se constrói a partir de boatos. Contas podem ser ganhas com boatos. A desgraça de um desafeto também se conquista com bons boatos. Um boatinho bem plantado pode arrasar o concorrente, oba! E por aí vamos, botando nossa própria mediocridade e transformando um grande negócio, como é o da propaganda no Brasil, em uma atividade menor e sem caráter.
Se é nos momentos de dificuldade que se conhecem os fortes, estamos mal na foto, companheiros. A julgar pelo que temos ouvido aqui na redação nas últimas semanas, somos a expressão maior da pequenez.
O Leandro não morreu de susto. O Brasil não fechou. Mas nós demos um show. Fomos um setorzinho, demonstrando, com eloquência, nossa fragilidade empresarial.’’


CADERNO INTERATIVO
O tablóide ‘‘Espaço de Marketing’’, editado pela jornalista Silvia Dias de Souza e que circula na última quinta-feira do mês dentro da Folha do Paraná, inaugurou, dia 8, sua edição interativa pela Internet, no endereço www.netpar.com.br/espacom/jornal.htm. As notícias serão atualizadas diariamente, acompanhando o que acontece no mercado local e nacional.


MEGA CAMPANHA
Começou a ser veiculada ontem, 14, a nova campanha ‘‘Síndrome do Beijo’’, criada pela agência J. Walter Thompson para o creme dental Close-Up. Realizado com estrutura de super-produção, o filme dá um tratamento diferente do usual para o produto (cenas de família e benefícios de saúde) ao mostrar as consequências do contágio de um suposto vírus que leva pessoas que mal se conhecem a se beijarem na rua, nos bares, no trânsito e em outras situações.
Desde o início de fevereiro a campanha está sendo vista em teasers em outdoors e em televisão e agora entra com 2 filmes de 15 segundos, 3 comerciais de 30 segundos, uma versão de um minuto para cinema e 780 cartazes colados em 9 capitais brasileiras.
Como acontece desde 1995, a campanha de Close-Up criada no Brasil será exportada para países da América Latina.


VITRINA

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