Ponti propõe 'SOS agropecuária' para mudar política econômica
O presidente do Sindicato Rural de Londrina, Edison Mazei Ponti, propôs ontem o lançamento da campanha SOS Agropecuária, clamando por mudanças no tratamento dispensado ao setor produtivo. A idéia foi apresentada durante o Seminário Estadual Sobre Programa de Qualidade e Competitividade da Agropecuária realizado em Londrina, com a presença de autoridades do governo e lideranças da agropecuária e do agronegócios.
O movimento SOS-Agropecuária defende melhorias do cenário econômico-financeiro da agricultura através de três medidas: 1) Uma alíquota de Importação de 20% em 99, 15% no ano 2000 e 10% em 2001. 2) As importações brasileiras de produtos agropecuários devem ser pagas à vista, 3) Um custeio adicional com 15 anos de prazo, dentro das normas do MCR (manual de crédito rural).
Segundo Ponti, a situação econômico-financeiro não pode continuar tão adversa para a agricultura. No discurso que proferiu ontem para representantes do governo e um público que lotou o recinto José Garcia Molina, no Parque Ney Braga, Ponti apresentou dados sobre as perdas de renda agropecuária nos últimos anos. Houve transferência de US$ 10 bilhões do setor agrícola para o setor secundário e terciário e nas exportações. Que o câmbio está defasado ninguém contesta, a dúvida é saber se em 45% ou em 20%.
Perdemos, atualmente, quando exportamos, R$ 3 por saca de soja; perdemos US$ 30 por saca de café e US$ 5 por arroba de carne. Esta perda, por conta da defasagem cambial, já foi maior, segundo Ponti.
A defasagem cambial, tão acentuada, não pode continuar. No entanto, não vai mudar bruscamente porque seria o caos em função da armadilha econômica sobre a qual estamos montados.
O melhor cenário é que mude nos próximos dois anos e se torne equilibrado a partir de 2001, sugeriu Ponti. É por este motivo que propomos uma alíquota de importação decrescente de 20, 15 e 5%. Não queremos privilégios; estamos pedindo justiça.
Ponti dá alguns exemplos dos prejuízos da atual política cambial. Quando importamos trigo da Argentina, este trigo é financiado com 180 dias prorrogáveis por outro período. Os juros são de até 4,75% ao ano. O importador vende à vista no mercado interno e coloca o dinheiro em aplicações que lhe rendem 25%.
Portanto - diz Ponti - o importador está certo em pagar 20 a 30% menos aos nossos produtos internos. É por isto que pedimos importações à vista. Não queremos privilégios, apenas tratamento justo, explica o presidente do Sindicato Rural.
O dirigente rural propõe um empréstimo ponte para atravessarmos estes dois anos devido às condições financeiras da agricultura que foi exaurida. Ele observa ainda: Se não acharmos uma saída vão acabar com a agricultura e a pecuária deste País, como acabaram com o algodão e ninguém acreditava que isto pudesse acontecer.
Ponti pede que as pessoas reflitam sobre as 800.000 pessoas que perderam seus rendimentos no algodão e foram para as cidades. Em infra-estrutura básica seria necessário duplicar a capacidade das cidades para absorver o pessoal que perdeu trabalho no algodão. A sociedade paga este ônus.
Ao propormos um custeio de 15 anos de prazo para pagar é visando aproveitar todas as normas já existentes no MCR (manual de crédito rural). Toda a estrutura econômica do governo, os agentes financeiros e mesmo os produtores conhecem: todos saberiam os valores, os juros, as garantias, os limites e seria quantificável até a necessidade total.
É por este motivo que estamos propondo um custeio adicional equivalente ao que cada produtor já retira por exploração que faz, explica.ArquivoEdison Ponti: Houve transferência de R$ 10 bilhões da agricultura para demais setores da economiaOswaldo Petrin





