Terminou às 23h35 de anteontem, depois de quase 40 horas, o bloqueio da Ponte Tancredo Neves, que liga o Brasil à Argentina, por pessoas que transportam, de bicicleta, mercadorias entre os dois países. Formado por cerca de 500 pessoas (80% deles argentinos), o grupo protestava contra decisão do governo argentino, de limitar em US$ 100,00 a cota mensal em mercadorias com que cada um desses transportadores pode entrar no país. Antes, essa cota era de US$ 100,00 diários.
Para obter a liberação, o governo argentino teve que recuar. A aplicação da resolução 262/86, prevista no Código de Aduanas, foi suspensa até fevereiro. Enquanto isso, autoridades e representantes dos trabalhadores se reunirão para buscar uma solução para o impasse.
O acordo para a liberação da ponte foi negociado pelo ministro do Bem-Estar Social argentino, Claudio Alvarez; o governador da Província (o equivalente a Estado) de Misiones, Federico Ramón Puerta (Partido Justicialista); e o prefeito de Puerto Iguazú, Timoteo Llera (Justicialista). A ponte liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú.
O tráfego na ponte foi liberado no início da madrugada de ontem, quando já havia cerca de 500 caminhões - a maioria com cargas perecíveis - retidos nos dois lados da fronteira. Na aduana brasileira, ainda havia filas de caminhões ontem à tarde, à espera da liberação das cargas.
O protesto na ponte começou ao meio-dia de terça-feira, um dia depois da entrada em vigor da medida. Conhecidos como ‘‘formiguinhas’’ (porque fazem travessias repetidas na ponte), os tansportadores compram produtos (principalmente carne de frango, legumes e frutas) em Foz do Iguaçu para revendê-los em Puerto Iguazú. Em Foz, esses produtos chegam a custar um terço do valor cobrado na Argentina.

mockup