Guaíra comemora este mês três anos de inauguração da ponte Ayrton Senna ligando o Paraná ao Mato Grosso do Sul e ao Paraguai. Maior ponte fluvial do Brasil, com 3.600 metros de extensão, a ponte Ayrton Senna eliminou a cara, demorada e perigosa travessia do Rio Paraná por balsas e redesenhou o perfil econômico do município. Lançada ao ostracismo desde que as Sete Quedas – uma das maiores belezas naturais do Brasil – foram submersas para formação do lago de Itaipu, Guaíra (a 141 quilômetros a sudoeste de Umuarama) registra agora um reaquecimento econômico significativo, calcado na abertura de dezenas de pequenas empresas e na chegada de duas grandes indústrias de mandioca.
Cerca de dois mil veículos cruzam diariamente a ponte Ayrton Senna. A travessia que antes levava uma hora, agora pode ser feita em apenas cinco minutos. O custo da travessia também caiu cerca de 80%. Para atravessar o rio de balsa, carros pequenos pagavam R$ 10 e carretas R$ 40. O pedágio da ponte varia de R$ 1 para motos a R$ 10 para carretas. A praça de pedágio arrecada cerca de R$ 300 por mês.
Em três anos, o movimento de veículos na divisa aumentou cerca de 30%. Segundo números do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), no primeiro mês de funcionamento, em fevereiro de 98, 60.687 veículos passsaram pela ponte. Em outubro e novembro do ano passado, foram 77 mil e 72 mil, respectivamente. Em dezembro, período de festas, o movimento chegou a 89.981 veículos. A média mensal gira entre 70 mil a 80 mil veículos por mês.
Parte do dinheiro arrecadado no pedágio está sendo investido em melhorias na ponte, segundo o DER. Ano passado, foram gastos R$ 1 milhão para iluminar os 3,6 quilômetros de travessia. Este ano, devem ser gastos mais R$ 4 milhões na construção de uma nova praça de pedágio com instalações para os órgãos de fiscalização na entrada da ponte.
Para o prefeito de Guaíra, Manoel Kuba, a ponte ajudou a alavancar a industrialização da cidade. Os empresários que investiram em Guaíra desde então não têm do que reclamar. O fotógrafo Adilson Revelle, 38 anos, foi dos que acreditou que a ponte criaria muitas oportunidades na região e em Mundo Novo (MS). Deixou um emprego de 11 anos em Maringá e montou seu próprio negócio em Guaíra, quatro meses antes da inauguração da ponte, em 24 de janeiro de 1998. Ano passado, Revelle abriu uma filial na cidade e já tem planos de investir também em Cascavel.
Segundo o secretário da Indústria e Comércio, Luiz Jacomini, a construção da ponte incentivou o plantio e industrialização de um produto até então inexpressivo em Guaíra; a mandioca. A cidade ganhou três fecularias e mais de 400 empregos diretos. Nos últimos cinco anos, a área plantada com mandioca saltou de mil para seis mil alqueires. ‘‘As empresas se instalaram em Guaíra para comprar as safras de mandioca do Sul do Mato Grosso do Sul e do Paraguai, cujo transporte seria facilitado com a ponte’’, explica Jacomini.
O presidente da Associação Comercial, Antônio Lopes, ressalta que não há mais prédios vazios em Guaíra e que os imóveis tiveram valorização muito grande. ‘‘Há 6 anos, comprei um hotel fechado no centro por R$ 40 mil. Hoje o imóvel vale R$ 150 mil’’, diz. A terra também subiu de R$ 5 mil para R$ 14 mil a R$ 15 mil o alqueire. Segundo Lopes, o cultivo da mandioca está permitindo aos agricultores adquirir mais terra. ‘‘Conheço um produtor que tinha dois alqueires e com a renda da mandioca que cultivou na área conseguiu comprar mais quatro alqueires’’.

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