Ponte Ayrton Senna reaqueceu economia da região de Guaíra
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segunda-feira, 29 de janeiro de 2001
Vânia Moreira Enviada a Guaíra 
Guaíra comemora este mês três anos de inauguração da ponte Ayrton Senna ligando o Paraná ao Mato Grosso do Sul e ao Paraguai. Maior ponte fluvial do Brasil, com 3.600 metros de extensão, a ponte Ayrton Senna eliminou a cara, demorada e perigosa travessia do Rio Paraná por balsas e redesenhou o perfil econômico do município. Lançada ao ostracismo desde que as Sete Quedas uma das maiores belezas naturais do Brasil foram submersas para formação do lago de Itaipu, Guaíra (a 141 quilômetros a sudoeste de Umuarama) registra agora um reaquecimento econômico significativo, calcado na abertura de dezenas de pequenas empresas e na chegada de duas grandes indústrias de mandioca.
Cerca de dois mil veículos cruzam diariamente a ponte Ayrton Senna. A travessia que antes levava uma hora, agora pode ser feita em apenas cinco minutos. O custo da travessia também caiu cerca de 80%. Para atravessar o rio de balsa, carros pequenos pagavam R$ 10 e carretas R$ 40. O pedágio da ponte varia de R$ 1 para motos a R$ 10 para carretas. A praça de pedágio arrecada cerca de R$ 300 por mês.
Em três anos, o movimento de veículos na divisa aumentou cerca de 30%. Segundo números do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), no primeiro mês de funcionamento, em fevereiro de 98, 60.687 veículos passsaram pela ponte. Em outubro e novembro do ano passado, foram 77 mil e 72 mil, respectivamente. Em dezembro, período de festas, o movimento chegou a 89.981 veículos. A média mensal gira entre 70 mil a 80 mil veículos por mês.
Parte do dinheiro arrecadado no pedágio está sendo investido em melhorias na ponte, segundo o DER. Ano passado, foram gastos R$ 1 milhão para iluminar os 3,6 quilômetros de travessia. Este ano, devem ser gastos mais R$ 4 milhões na construção de uma nova praça de pedágio com instalações para os órgãos de fiscalização na entrada da ponte.
Para o prefeito de Guaíra, Manoel Kuba, a ponte ajudou a alavancar a industrialização da cidade. Os empresários que investiram em Guaíra desde então não têm do que reclamar. O fotógrafo Adilson Revelle, 38 anos, foi dos que acreditou que a ponte criaria muitas oportunidades na região e em Mundo Novo (MS). Deixou um emprego de 11 anos em Maringá e montou seu próprio negócio em Guaíra, quatro meses antes da inauguração da ponte, em 24 de janeiro de 1998. Ano passado, Revelle abriu uma filial na cidade e já tem planos de investir também em Cascavel.
Segundo o secretário da Indústria e Comércio, Luiz Jacomini, a construção da ponte incentivou o plantio e industrialização de um produto até então inexpressivo em Guaíra; a mandioca. A cidade ganhou três fecularias e mais de 400 empregos diretos. Nos últimos cinco anos, a área plantada com mandioca saltou de mil para seis mil alqueires. As empresas se instalaram em Guaíra para comprar as safras de mandioca do Sul do Mato Grosso do Sul e do Paraguai, cujo transporte seria facilitado com a ponte, explica Jacomini.
O presidente da Associação Comercial, Antônio Lopes, ressalta que não há mais prédios vazios em Guaíra e que os imóveis tiveram valorização muito grande. Há 6 anos, comprei um hotel fechado no centro por R$ 40 mil. Hoje o imóvel vale R$ 150 mil, diz. A terra também subiu de R$ 5 mil para R$ 14 mil a R$ 15 mil o alqueire. Segundo Lopes, o cultivo da mandioca está permitindo aos agricultores adquirir mais terra. Conheço um produtor que tinha dois alqueires e com a renda da mandioca que cultivou na área conseguiu comprar mais quatro alqueires.


