Ponta Grossa já qualifica mão-de-obra
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terça-feira, 17 de junho de 1997
Giovani Ferreira Ponta Grossa 
Ponta Grossa começa a se preocupar em preparar e qualificar mão-de-obra para atender as novas indústrias que se encontram em fase de implantação no município. Como a maioria dessas empresas atua em setores que diferem da economia tradicional de Ponta Grossa, o município será obrigado a qualificar mão-de-obra, com cursos específicos para as áreas de atuação de cada uma das novas indústrias.
Dos quatro investimentos anunciados para Ponta Grossa na última semana, dois exigem a formação de mão-de-obra especializada. A fábrica belga de carpetes e a indústria italiana, que irá produzir freios hidráulicos, por exemplo, terão dificuldades em contratar pessoal. Se não houver oferta em Ponta Grossa, as empresas terão que trazer pessoal de outras regiões do Estado e do País. Por outro lado, a fábrica da Sadia e o hotel San Juan não terão maiores problemas, por se tratarem de ramos de atuação já existentes no município, admitem setores consultados pela Folha.
Como esses investimentos somam aproximadamene US$ 90 milhões e devem gerar em torno de mil empregos diretos, a preocupação da prefeitura está em colocar no mercado de trabalho as centenas de desempregados do próprio município. Para isso a prefeitura estará atuando, em conjunto com o escritório regional da Secretaria de Estado das Relações do Trabalho (Seta), na formação e qualificação da mão-de-obra.
Aloízio José Ferreira, gerente do escritório da Seta em Ponta Grossa, disse que a secretaria deve traçar um perfil dessas novas indústrias a fim de descobrir qual a natureza da mão-de-obra que elas irão absorver quando estiverem em funcionamento. A partir de então, estaremos empenhados em realizar cursos de capacitação, que irão ao encontro dos interesses desses novos segmentos industriais de Ponta Grossa, diz.
De acordo com ele, a indústria pode, inclusive, indicar um técnico de sua preferência para ministrar um determinado curso. Explica, que através de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), a Seta tem condições de contratar até um profissional de outro País para dar um curso em Ponta Grossa. Na opinião de Aloízio, a qualificação é a única maneira de combater o desemprego no município.
Apesar de saber que existem centenas deles, a Seta não possui nenhum levantamento ou estimativa do número de desempregados no município. A única referência oficial é a da agência local do Sistema Público de Empregos (Sempre), antigo Sine, que elabora um cadastro baseado naqueles trabalhadores que solicitam o seguro-desemprego. No mês de maio, por exemplo, o Sempre recebeu 1.274 inscrições de trabalhadores desempregados. Desses, 485 foram encaminhados para um emprego, e apenas 63 conseguiram colocação.
Nesse mesmo mês, existiam 130 vagas disponíveis. Mais da metade delas não foi preenchida por falta de qualificação dos interessados. Conforme números da Caixa Econômica Federal, o seguro-desemprego paga em Ponta Grossa R$ 120 mil por mês.


