A primeira diretoria do Conselho de Sanidade Agropecuária (CSA-Londrina) tomou posse ontem à noite, em cerimônia que contou com a presença do Secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Ênio Marques, representando o ministro Francisco Turra; do secretário da Agricultura do Paraná, Antônio Poloni, e do presidente da Faep, Ágide Meneguette. Presidido pelo agrônomo Edison Ponti, presidente do Sindicato Rural de Londrina, o Conselho de Sanidade Agropecuária conta com representantes de instituições ligadas à agroindústria, como Iapar, Embrapa, Associação dos Engenheiros Agrônomos e universidades, cooperativas e empresas de insumos. À solenidade compareceram ainda o secretário Alex Canziani; o prefeito Belinati; o deputado Hauly; o vereador Beto Scaff, e o jornalista João Milanez. Cerca de 600 pessoas prestigiaram o ato.
Um dos desafios do CSA é discutir e pôr em prática o Certificado Fitossanitário de Origem (CFO), exigido por acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC) do qual o Brasil é signatário. Os termos técnicos do CFO - que faz parte da nova política de defesa agropecuária - começaram a ser discutidos em âmbito estadual, em Londrina.
Pela manhã, na Associação dos Engenheiros Agrônomos (AEA), houve debate técnico sobre a emissão do Certificado Fitossanitário e a nova Política de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura. O certificado será a garantia de que o carregamento de um determinado produto, in natura ou industrializado, é livre de resíduos químicos ou biológicos. Ele garante a qualidade da mercadoria e a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional, segundo Ênio Marques. Para o assessor técnico Décio Luiz Gazzoni, com a melhoria da qualidade, produtores e consumidores nacionais também saem ganhando.
O presidente da AEA, Dionísio Gazziero, disse que os profissionais de agronomia, já habilitados para este tipo de tarefa, estão sendo treinados para o trabalho específico da emissão de certificados. A Seab, por sugestão dos próprios técnicos, pediu o adiamento da vigência da Portaria que entraria em vigor ontem. Assim, haverá mais tempo para elucidar pontos polêmicos. Para o presidente do Iapar, Florindo Dalberto, o Brasil está iniciando um novo paradigma através da qualidade e o referencial é a demanda do consumidor: se a preferência dele é por um produto livre de agrotóxicos, exemplificou, os técnicos e a agricultura têm que atender a esta preferência; outro exemplo é o da mão-de-obra: se o consumidor prefere alimentos cuja produção não tenha ocupado trabalho de menores, esta variável terá que ser considerada.
Desafios O presidente do Conselho de Sanidade Agropecuária (CSA), Edison Ponti, observou que o CSA tem uma série de questões imediatas para discutir citando algumas das mais importantes. ‘‘Ano que vem - disse - o Paraná precisa exportar carne para União Européia (UE) e Estados Unidos a preços que se aproximem de 40 dólares/arroba, o mesmo obtido pela Argentina. Hoje o Paraná vende sua carne bovina por 16 dólares/arroba, por não ter conseguido, ainda, o certificado para exportar. Esta autorização só é obtida por Estados ou países que completem cinco anos sem ocorrência de aftosa. Estamos no quarto ano sem aftosa - lembra Ponti - e todo esforço deve ser feito para completar o período exigido pelos países importadores. Outras discussões imediatas são o preço do trigo que já começa a ser plantado. O novo preço, R$ 185/tonelada, não corrige nem o preço mínimo anterior quanto na verdade terá de considerar o diferencial do ajuste do câmbio. Ponti cita também o preço da soja ano que vem: estamos vendendo soja a R$ 16/saco sabendo que o custo de produção da próxima safra será de R$ 21,50/saco.
Sobre o Certificado Fitossanitário de Origem (CFO), Ponti disse que ele deve ser implantado de maneira a beneficiar o produtor: ‘‘A melhoria da qualidade tem que ser uma demanda, não uma imposição’’, segundo Ponti e tem que apresentar de maneira clara o custo-benefício, para que a agricultura seja estimulada a investir em melhorias da produção. Ponti fez estas observações de manhã na reunião técnica e na entrevista à imprensa na sede da Associação dos Agrônomos. -
O CSA de Londrina, que tem caráter regional, é o primeiro do País. Ele será modelo para os demais Estados porque o Paraná reúne mais experiência nesta área - segundo Ênio Marques - e está na dianteira em termos sanitário e de cadeia produtiva. Também foi levado em conta a capacidade operacional e de organização das instituições envolvidas, como Faep e Sindicato Rural.


DESAFIOS

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