Poloneses iniciam a montagem de aviões em Arapongas até dezembro
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sexta-feira, 22 de agosto de 1997
Cláudia Lopes Londrina 
Cesar AugustoNegócio fechadoO presidente do grupo polonês PZL, Ryszard Leja, e o prefeito de Arapongas, José Aparecido BiscaOs primeiros aviões poloneses montados em Arapongas devem começar a sobrevoar as lavouras da região até o final deste ano. A previsão é do presidente do grupo PZL, Ryszard Leja, que assinou ontem protocolo de intenções para instalar uma montadora de aviões agrícolas naquele município. Com investimentos de cerca de US$ 15 milhões, serão montados inicialmente 30 aparelhos por ano, que devem custar US$ 330 mil cada.
O faturamento previsto é de US$ 10 milhões no primeiro ano de funcionamento, segundo Leja. Ele calcula que serão gerados 150 empregos diretos e 150 indiretos (cinco por avião) na montadora. Quando a fábrica estiver funcionando a pleno vapor, 650 pessoas deverão trabalhar no local. Mas isso só vai acontecer quando começarmos a fabricar os aviões em Arapongas, diz Leja, que explica que o início da produção dependerá do mercado.
Como os poloneses também pretendem instalar uma empresa prestadora de serviços no município, Leja deixou ontem na Cooperativa Agropecuária de Rolândia uma proposta que oferece pulverização a R$ 10 o hectare. O grupo pretende firmar um contrato para pulverizar pelo menos 15 mil hectares da Cooperativa, conta o prefeito de Arapongas, José Aparecido Bisca.
Para ele, a grande vantagem da instalação da montadora de aviões será sentida no bolso dos agricultores da região, através da redução nos custos da aplicação de defensivos agrícolas. Atualmente, são cobrados R$ 25 por hectare. Com o avião polonês, este preço cai para R$ 10 por hectare, diz Bisca. Outra vantagem do aparelho seria a eficiência, segundo o prefeito.
Nas lavouras de cana-de-açúcar a recomendação técnica é de que se façam duas aplicações de nitrogênio. Com os equipamentos usados atualmente só dá para fazer uma aplicação, quando a planta tem entre 15 e 20 centímetros de altura. A segunda deveria ser feita quando a planta atingisse 90 centrímetros. Mas as máquinas usadas danificam a plantação. Isso não acontece com a pulverização feita com este tipo de avião, que voa a 50 centrímetros de altura das plantas, diz Bisca.
O avião polonês tem capacidade para armazenar 1,5 mil quilos de defensivos. Os usados no Brasil levam no máximo 600 quilos, afirma Bisca. O aparelho que será montado em Arapongas consome 40 litros de combustível por hora. Para decolar e aterrisar é necessário uma pista de apenas 150 metros de comprimento.
A montadora deve funcionar no galpão do Instituto Brasileiro de Café (IBC) de Arapongas, que tem 65 mil metros quadrados de área coberta. Mas deverá ser usada 10% da área, onde também irá funciona o Centro Regional de Negócios, diz Bisca, que embarca em outubro para a Polônia a fim de discutir outros projetos como a possível instalação de uma fábrica de tratores no município. A comitiva de poloneses pretende obter incentivos estaduais através do Programa Paraná mais Empregos. O governador Jaime Lerner mostrou-se bastante interessado no assunto. Mas antes de oficializar os incentivos, o governo estadual fará um estudo de viabilidade do negócio.


