Na última ExpoLondrina, a ministra da Agricultura e Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, anunciou a cidade de Londrina como o primeiro polo tecnológico do agronegócio do País. A primeira ação relacionada ao polo será um hackathon com o tema de mudanças climáticas, a ser realizado no 2º Agrobit, evento nacional de tecnologia e inovação no agronegócio, com previsão para novembro desse ano em Londrina. Para que os participantes do hackathon possam desenvolver suas soluções, o ministério irá disponibilizar dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Duas semanas atrás, um grupo formado por representantes do ecossistema de inovação da cidade fez uma viagem até Brasília em busca de oportunidades para o ecossistema, conta a deputada federal Luisa Canziani (PTB-PR). Na ocasião, o grupo apresentou o ecossistema de inovação em agronegócio de Londrina à Secretária de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

A deputada federal também afirmou que o diretor de Inovação do Ministério, Luís Cláudio França, já adiantou que o polo tecnológico do agronegócio em Londrina terá um hub e uma incubadora, que serão pioneiros no Brasil. A deputada federal deverá apresentar uma emenda parlamentar para viabilizar o polo.

O coordenador-geral de Articulação para a Inovação da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Mapa, Benedito João Gai Neto, explicou que o Ministério terá o papel de promover 12 polos tecnológicos do agronegócio no País em articulação com universidades, centros de pesquisa e governos estaduais e municipais, junto à iniciativa privada, com o fim de fortalecer as vocações regionais. “Na verdade, a região (de Londrina) já é um polo informal. Um polo formal tem a tutela do Ministério da Agricultura em promover isso.” De acordo com Gai Neto, com o apoio institucional do governo, a região terá mais facilidade de atrair investidores, por exemplo.

O polo vai funcionar como um hub, concentrando e conectando as ações de inovação da região para que haja a “catalisação dos esforços para que o desenvolvimento da inovação aconteça de forma mais rápida e atraia mais investidores”, diz o coordenador-geral. Segundo ele, o polo também terá uma estrutura física para abrigar empresas e as ações do polo e, para isso, a ideia é utilizar uma instalação já existente na região. “Essa estrutura não vai ser construída, nem vai ser do Mapa. Temos algumas alternativas. Vamos usar uma instalação já oferecida para que haja a institucionalização do polo.” Gai Neto esclareceu que não estão previstos investimentos do Ministério na região, e que os investimentos virão “naturalmente”. “A própria iniciativa privada, governos do estado e municipal vão acabar injetando recursos.”

Segundo Gai Neto, Londrina foi escolhida como o primeiro polo pela sua vocação e criatividade. “Recebemos uma equipe de Londrina, que está pronta para se tornar um polo tecnológico.” A inovação é uma das prioridades do Mapa, ao lado da conservação do solo e das bacias hidrográficas, motivo pelo qual foi criada a Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação, destaca o coordenador-geral. “O Ministério quer transformar o Brasil em um exportador de inovação e novas tecnologias para que não seja apenas um exportador de commodities.”

Frutos

O polo terá a função de incentivar projetos e pesquisas de tecnologia voltada ao agronegócio e simboliza o comprometimento do Mapa de transformar o País e a região em um exportador de inovação e tecnologia em agro, ressalta a deputada federal Luísa Canziani. Dessa forma, a região também se consolida como uma região propícia a investimentos. “O polo vai demonstrar a força e a vocação do Estado de aliar a tecnologia e a inovação ao campo.”

Para o gerente do Sebrae/PR Regional Norte, Fabrício Bianchi, o polo é uma conquista para a região e para todo o Estado, e demonstra o alinhamento das três esferas do governo (federal, estadual e municipal) em torno de uma demanda da sociedade de trabalhar com novas tecnologias no campo, colocar a inovação à disposição das empresas para que elas possam agregar valor aos seus produtos e serviços e ter um centro que proporcione isso. “Isso consolida a importância do ecossistema de inovação do agro em Londrina.”

Gilmar Machado, presidente do APL de TI (Arranjo Produtivo Local de Tecnologia da Informação) de Londrina e Região, diz ver o anúncio do polo tecnológico do agronegócio em Londrina como um retorno dos esforços de desenvolvimento do ecossistema de inovação de Londrina. “A TI é transversal a todos os setores. E conseguimos provar que essa sinergia funciona.” Com o anúncio, ele afirma esperar que as atenções do governo estejam mais voltadas à região e mais investimento.

Para Ricardo Rezende, diretor de Pecuária da SRP (Sociedade Rural do Paraná), com o anúncio do polo tecnológico do agronegócio em Londrina, o setor espera que o apoio do governo à criação e difusão de novas tecnologias para o agronegócio seja maior, com aporte financeiro direto do governo ou de entidades privadas por intermédio do Estado. Na sua visão, a região já conta com ambiente propício à criação de novas tecnologias, com infraestrutura adequada e empresas de pesquisa fortes. O apoio do Mapa deverá acelerar o desenvolvimento do polo e aumentar a capacidade de difusão de tecnologia aos produtores da região.

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