A promessa de abertura do mercado para a indústria paranaense de componentes automobilísticos, com a instalação das montadoras na Região Metropolitana de Curitiba, ainda não se tornou realidade. As montadoras Volkswagen/Audi, Renault e Chrysler já começaram a produzir os primeiros modelos para testes, mas até agora não houve o envolvimento das pequenas e médias indústrias do Estado na cadeia produtiva. A ausência da indústria local foi confirmada ontem pelo diretor regional do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Benedicto Kubrusli Júnior.
Kubrusli disse que as indústrias metalmecânicas criaram uma expectativa de parceria com as montadoras, mas o que ocorre na prática é uma recessão nas vendas e na atividade empresarial. ‘‘Até agora, não houve uma influência positiva para a indústria paranaense. Só há espaço para as multinacionais’’, afirmou o diretor do Sindipeças, horas antes da abertura do Seminário Regime Automotivo Brasileiro/Mercosul, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
Na avaliação de Kubrusli, as montadoras ‘‘sentem medo’’ de contratar as empresas locais para atuar como fornecedoras. ‘‘As montadoras nem recebem a gente, talvez porque não acreditam na indústria local’’, afirmou. Ele disse ainda que a tecnologia mais avançada das atuais fornecedoras fez com que a indústria paranaense ficasse fora do páreo.
Na avaliação do presidente do Sindipeças - dono da Igasa, empresa que produz tanque de combustível e cárter -, o setor que produz peças para carros enfrenta um período de recessão no Estado. As quedas nas vendas têm sido verificadas desde 1996, com um agravamento desde o início deste ano. As montadoras estimavam vender dois milhões de carros até o final do ano, mas os números já foram revistos. A previsão de venda feita neste mês é de 1,6 milhão de unidades, podendo haver redução maior caso o mercado consumidor não reaja até meados de novembro. O resultado da queda nas vendas, tanto nas de carros zero-quilômetros quanto nas de usados, foi o fechamento de empresas e desemprego.
Durante o seminário, foram discutidas ainda as alíquotas de importação de componentes para a indústria automobilística, que hoje entram no País com uma alíquota de 20%. A indústria nacional gostaria de ver este índice elevado para 35%, o que provocaria um aquecimento nas vendas nacionais.

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