Presidentes de entidades do setor moveleiro do Paraná vão se reunir com o secretário estadual da Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra, amanhã para discutir os prejuízos causados às empresas com a guerra fiscal entre os Estados. Representantes de entidades ligadas ao setor moveleiro do Paraná foram convocados pelo Sima – Sindicato da Indústria de Móveis de Arapongas – e vão estar em Curitiba, às 14h30, para uma reunião com o secretário. O objetivo é cobrar providências sobre os problemas e prejuízos que estão sendo gerados para as indústrias do setor no Paraná em função da diminuição das alíquotas de ICMS em alguns estados brasileiros. O vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Mobiliário no Estado do Paraná, Carlos Roberto da Cunha, confirmou presença.
Segundo o secretário executivo do Sima, José Roberto Pontalti, o prejuízo das indústrias de móveis só no norte do Paraná é de R$ 5 milhões ao mês. ‘‘As indústrias do Paraná não estão conseguindo competir com as indústrias de outros estados nas operações comerciais realizadas no Paraná e nos demais estados em função da diferença da alíquota do ICMS instituída por alguns estados’’, salienta.
Desde que se instalou a guerra fiscal no País, os estados de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Distrito Federal já determinaram a redução do ICMS para 12% para os produtos fabricados e vendidos dentro do próprio estado. O governo do Rio Grande do Sul estuda a implantação da mesma medida. ‘‘Se isso não acontecer também no Paraná, a concorrência será desleal tendo em vista que as indústrias desses estados vão vender no Paraná com uma alíquota de 12% ao mesmo tempo em que os produtos das indústrias paranaenses serão taxados em 17%. Enquanto isso, as indústrias do Paraná, quando levarem seus produtos para serem vendidos nos estados em que a alíquota interna é de 12%, não terão como competir tendo em vista que, além do ICMS de 12%, somam-se os custos de transporte’’, avisa Pontalti. Só para o estado de São Paulo, as indústrias moveleiras do norte do Paraná vendem 30% da sua produção.
Outra agravante levantada pelo Sima é a majoração na alíquota média que foi implantada pela Receita Estadual para o recolhimento do ICMS. ‘‘O imposto era calculado sobre a venda, sendo de 17% para a venda no estado, 12% para a venda nas regiões Sul e Sudeste e 7% para a venda nas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste. Se levarmos em conta toda a produção e venda do pólo moveleiro do Norte do Paraná ao mês, vamos chegar a uma média de 2,8% de recolhimento. A Receita Estadual instituiu a média de 5%, o que gera um grande prejuízo para a indústria’’, alerta Pontalti. Segundo ele, 85% das vendas realizadas pelo pólo moveleiro do Norte do Paraná são direcionadas para outros estados brasileiros.
Há expectativa de desemprego no setor, caso não haja um posicionamento do governo do estado em relação ao ICMS, segundo ele. ‘‘Se as indústrias reduzirem as vendas e não conseguirem ser competitivas, a demissão vai acabar acontecendo’’, avalia Pontalti.

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