Pólo de ciência e pesquisa
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domingo, 08 de janeiro de 2006
Reportagem Local 
Mais de 350 grupos de pesquisa; 1.400 pesquisadores e 19 instituições que atuam com pesquisa. O resultado: geração de tecnologia que movimenta econômica, social e culturalmente toda a cidade e região. Os números ainda colocam Londrina, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, órgão vinculado ao Ministério do Planejamento, como a 15 cidade do país em capacitação tecnológica.
Para se ter uma idéia do potencial na cidade, somente o orçamento das três maiores instituições para pesquisa soma cerca de R$ 100 milhões por ano. São a Universidade Estadual de Londrina, com 300 grupos de pesquisa; o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), com 106 pesquisadores; e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Soja), com 70 pesquisadores.
Os dados fazem parte de um levantamento realizado pelo Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia (CMCT), órgão instituído por lei em julho de 2003 para reunir a comunidade científica, representantes de vários segmentos para traçar estratégias de desenvolvimento do setor. ''Hoje a ciência e a tecnologia dinamizam a economia de todo o município por conta da capacidade instalada'', diz o presidente do CMCT, Dimas Soares Junior.
Soares Junior afirma que os impactos da capacidade científica e tecnológica de Londrina podem ser medidos do ponto de vista econômico, mas também socioculturais. Para ele, os impactos econômicos derivam dos investimentos feitos para a realização de pesquisa, por meio da geração de empregos, aquisição de produtos e serviços, captação de eventos científicos e profissionais e captação de recursos junto a agências de fomento em nível estadual, nacional e internacional.
Já entre os fatores para os impactos socioculturais, estão a identificação de problemas de interesse da população regional, apoio à elaboração de políticas públicas e a construção da imagem da cidade como centro intelectual e tecnológico. ''Londrina está entre as 15 cidades do país em capacitação tecnológica (produção e inovação) e, como isso faz parte de um processo, estamos trabalhando para melhorar essa perspectiva'', salienta Soares Junior.
De todos os setores científicos, o presidente destaca o município na produção de pesquisa agropecuária, com ênfase no trabalho desenvolvido, principalmente, no Iapar e na Embrapa - cujos resultados incidem diretamente na melhoria de sementes e de variedades para a produção agrícola. No entanto, ele reconhece a falta de investimentos no Iapar. ''Em 15 anos, 1/3 dos pesquisadores do Iapar se desligaram do órgão. Já na Embrapa tem se conseguido manter o quadro de pesquisadores.''
Dimas Soares Júnior diz apostar na articulação das instituições para fortalecer ainda mais o setor. ''Mesmo havendo competição, é possível ter entre as instituições cooperação para consolidar a cidade como pólo de geração científica e tecnológica.'' Para ele, uma área que precisa de atenção é a da divulgação em ciência. ''A divulgação científica é acanhada. É preciso melhorar esse processo, envolvendo, por exemplo, o ensino fundamental porque é no nível de formação escolar que despertaremos os jovens para o contato com esse conhecimento.''
Conforme o presidente do CMTC, para 2006 uma novidade será o financiamento de pesquisas pelo Fundo Municipal de Ciência e Tecnologia. Com orçamento inicial de R$ 150 mil, com recursos da Prefeitura de Londrina, o conselho deve financiar projetos de pesquisa, tornando mais uma fonte de financiamento.


