Pelo terceiro mês consecutivo as montadoras paranaenses Renault e Volkswagen reduziram a produção de veículos. Em outubro, a produção de automóveis e veículos de uso misto somou 11.134 unidades, o que representa uma queda de 15,85% em relação ao mês anterior. Em setembro, a queda na produção foi de 6,59% e em agosto, 8,75% menor em relação ao mês anterior.
A queda é resultado da iniciativa das montadoras, que colocaram o pé no freio no segundo semestre, quando a economia começou a ser contaminada pelos efeitos das crises de energia, da Argentina e do terrorismo internacional, avaliou Sérgio Butka, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba. O sindicalista admite que, apesar da queda de produção, o resultado anual supera o do ano passado, mas salienta que o quadro neste final de ano ''está decepcionante em relação às expectativas do início do ano''.
A previsão para este ano era atingir uma produção de 210 mil veículos entre as montadoras Renault e Volkswagem. Mas as projeções indicam que deixarão de ser produzidos 70 mil veículos, calculou Butka. Ele avalia que a Renault deixará de fabricar 40 mil veículos e a Volkswagen, 30 mil veículos.
Conforme levantamento divulgado ontem pelo Sindicato dos Metalúrgicos, apesar da redução neste final de ano, a produção anual de carros cresce 37% em relação ao ano passado, quando a expectativa inicial era de crescimento de 70%. Como essa projeção não foi concretizada, as demissões no setor automotivo somaram 580 empregos a menos no período entre janeiro a outubro deste ano. Só na Volks, 300 trabalhadores aderiram ao Plano de Demissão Voluntária (PDV) e o fechamento da Chrysler provocou a demissão de outros 200 trabalhadores.

A queda na produção também causou a redução da participação do Paraná no ranking nacional. Em setembro, era de 9,56%. Em outubro, caiu para 9%. Com isso, dificilmente a produção do Estado chegará ao patamar de 12% como foi previsto no início do ano, disse Butka. A produção de veículos no período entre janeiro a outubro soma 140.403 veículos, sendo 65 mil carros produzidos pela Renault e 75 mil veículos pela Volkswagen. Desse total, foram exportadas 49.761 unidades.
Segundo Butka, as exportações estão sendo sustentadas por contrato firmado entre a Volkswagen e países como México e Estados Unidos, para venda de veículos Golf. A preocupação é que esse contrato será encerrado em janeiro de 2002, e dificilmente será renovado, diz o sindicalista. Se isso ocorrer, certamente a montadora terá que rever a planta industrial para produção de um modelo mais moderno que o Golf. A previsão é que a produção do Golf será substituída gradativamente pelo projeto PQ-34 a partir de março do ano que vem.

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