Políticos pressionam e governo adia definição da meta
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de agosto de 2017
Idiana Tomazelli<br>Agência Estado 
Brasília - O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, usou seu perfil no Twitter para negar que as metas fiscais de 2017 e de 2018 serão de déficit de R$ 170 bilhões. Em meio à pressão de políticos por um rombo que permita ampliação de despesas neste e no próximo ano, Padilha tem se alinhado à equipe econômica em torno da necessidade de sinalizar compromisso com o ajuste fiscal. "É especulação a notícia de meta fiscal para 2017 e 2018 de (déficit de) R$ 170 bilhões. Ninguém trouxe tal valor à discussão nas reuniões de governo", escreveu Padilha.
As investidas dos líderes políticos contra o presidente Michel Temer aumentaram na tentativa de emplacar um rombo ainda maior. O presidente incluiu os parlamentares no debate com a intenção de facilitar o caminho para a aprovação de medidas necessárias para o equilíbrio das contas, mas a decisão teve efeito inverso e ampliou as resistências.
O Ministério da Fazenda defende que ambas as metas (2017 e 2018) sejam de R$ 159 bilhões. A definição deste valor já tinha sido resultado de muitas negociações entre a equipe econômica e a equipe política de Temer na semana passada. Na sexta-feira (11), era tido como certo.
Mas nas reuniões desta segunda-feira (14), diante da pressão das lideranças políticas, Temer passou a cobrar da equipe econômica novos cálculos e previsões de receitas. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, apresentou um cardápio de medidas que poderiam ser tomadas, mas os líderes rechaçam toda possibilidade de aumento de impostos.
Meirelles cobrou mais pressão do governo para votar no Congresso medidas que tragam mais receitas, como o Refis, grande aposta da equipe econômica para trazer cerca de R$ 14 bilhões para o caixa. Mas a ala política do governo acha que seria melhor definir as metas em cerca de R$ 170 bilhões e trabalhar pela reforma da Previdência. Sem acordo, a definição foi adiada.
Enquanto a equipe econômica pretende manter o compromisso com o ajuste fiscal, de olho nas eleições do ano que vem, os políticos querem afrouxar as metas (Com Folhapress).


