Política monetária não está segurando inflação
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quarta-feira, 06 de abril de 2005
Ricardo Leopoldo<br>Agência Estado 
São Paulo - O professor da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), Yoshiaki Nakano, suspeita que ''a política monetária do Banco Central (BC) está sendo inflacionária'', baseado na leitura de vários dados macroeconômicos apresentados por órgão oficiais nos últimos meses. ''Com base nos números que estão aí, é bem possível que isso esteja ocorrendo, especialmente quando se verificam alguns indicadores como o aumento da base monetária, depósitos à vista e empréstimos em geral'', afirmou.
''Como mais da metade da dívida pública está indexada à Selic, o aumento dos juros, como vem ocorrendo desde setembro, acaba transferindo os recursos do governo para os detentores de títulos públicos, como os bancos, que aumentaram suas receitas e apresentaram lucros muito grandes recentemente, e também às pessoas físicas que são possuidoras desses papéis, pois também aplicam em fundos cujas rentabilidades também se elevam'', explicou.
De acordo com Nakano, a elevação dos juros, de 16% em setembro para os atuais 19,25% ao ano, não foi suficiente para desestimular os bancos na concessão de crédito para o público em geral, sobretudo para consumidores. ''No Brasil, a contenção de crédito só ocorre quando as instituições financeiras verificam que os juros subiram numa proporção tão alta que elevou muito as chances de subir a inadimplência. É nesse contexto que o crédito fica mais raro. E esse efeito ocorreu quando as taxas subiam muito antigamente, há alguns anos, quando chegaram a bater 40% ao ano'', analisou. ''Como os bancos hoje têm mais dinheiro disponível, e o risco da inadimplência subir não aumentou tanto, acabam emprestando mais.''
Copom - Para o professor, não é possível prever qual será a decisão da diretoria do Banco Central na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorrerá neste mês. ''Não é possível fazer nenhuma previsão porque eu não sei o que eles (os membros do Copom) pensam. Uma coisa é certa: o BC vem elevando os juros para conter a inflação e a taxa não vem caindo. Ao contrário: as expectativas dos analistas de mercado apontadas nas pesquisas do relatório Focus indicam que a expectativa de inflação é de alta para este ano e não há chances para a meta convergir para 5,1%'', comentou.
Na sua avaliação, o governo deveria adotar outras medidas que conduziriam a economia a uma rota de equilíbrio. ''É preciso colocar o câmbio num patamar correto e estável o suficiente para gerar, a longo prazo, crescimento sustentado e empregos. Além disso, é essencial para reduzir os juros uma política fiscal contracionista, que implica, entre outros pontos, na redução de despesas correntes, cujos recursos seriam dedicados para investimentos públicos, que puxariam a expansão da economia'', opinou. ''Também é essencial o fim do déficit público nominal. Isto indicaria que há equilíbrio na administração dos recursos públicos em relação às despesas, poderia até iniciar um processo de geração de superávit e provocaria uma redução drástica dos juros nominais e reais'', analisou.


