Política monetária derruba vendas industriais e salários
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quinta-feira, 05 de junho de 2003
Jacqueline Farid<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro A política monetária ''restritiva'' foi o principal fator apontado para o desaquecimento da atividade industrial em abril pelo coordenador da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. Segundo dados divulgados ontem pela entidade, houve queda de 5,28% nas vendas industriais em abril, ante igual mês do ano passado. A utilização da capacidade industrial também foi menor em abril (79,6%) do que em março (80,1%).
''As taxas de juros estão muito elevadas, especialmente os juros reais, e os dados da indústria confirmam a desaceleração da atividade econômica'', disse Castelo Branco. Segundo ele, a atividade industrial está sendo negativamente afetada, também, pela retração da renda dos trabalhadores. Os salários líquidos na própria indústria registraram queda acumulada de 6,9% de janeiro a abril deste ano, ante igual período do ano passado.
A expectativa do economista da CNI é que a situação da indústria não venha a apresentar mudança substancial nos indicadores da entidade relativos a maio e junho. Ele acredita que o governo vai iniciar a trajetória de redução da taxa básica de juros ainda neste mês, mas prevê que esse será um processo gradual, com efeitos lentos sobre o setor produtivo. ''Mudanças na política monetária têm efeitos defasados'', avalia.
O economista salientou que considera que as condições econômicas estão ''maduras'' o suficiente para que os juros possam ser reduzidos. Para ele, uma recuperação mais imediata da atividade industrial só ocorrerá caso os juros caiam de ''maneira mais rápida e intensa'', o que não acredita que acontecerá nos próximos meses. Por isso, ele avalia que a economia só terá aquecimento no último trimestre deste ano.
O emprego industrial manteve em abril a trajetória de crescimento iniciada em agosto do ano passado, na comparação com igual mês de ano anterior, mas a renda do trabalhador permanece em queda. Neste ano, o emprego na indústria acumula alta de 1,04% até abril, ante igual período do ano passado.
Castelo Branco disse que os postos de trabalho não estão reduzindo, ''mesmo em ambiente desfavorável'', porque existe no setor industrial uma expectativa de reaquecimento da economia a partir do segundo semestre deste ano. Segundo ele, diante dessa perspectiva de recuperação da atividade, os empresários preferem manter os seus empregados.


