São Paulo - A onda de rebaixamentos das recomendações para investimentos no Brasil somado à notícia de suposto pedido de propina na privatização da Companhia Vale do Rio Doce em 1997, publicada no final de semana pela revista ‘‘Veja’’, abalaram o mercado ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caiu 1,42%, o dólar subiu 0,49% e o risco-país ultrapassou os 900 pontos pela primeira vez no ano e chegou aos 910 pontos. A Bovespa chegou a ter caído 2,6%, aos 12.430 pontos e volume financeiro de R$ 443,670 milhões.
A Bolsa paulista reagiu mal ao anúncio do banco de investimentos norte-americano Goldman Sachs, que recomendou ontem a seus clientes que reduzam suas aplicações em ações de bancos brasileiros e de empresas dos setores de telecomunicações e energia. Além disso, sugeriu que transferissem seus investimentos do Brasil para o México. A instituição justificou a medida citando o quadro eleitoral. Para o Goldman Sachs, o crescimento do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial aumenta as incertezas políticas.
O relatório do banco americano atinge as ações do Bradesco, Unibanco, Telesp Celular, Embratel, Eletropaulo e Eletrobrás. No entanto, o banco recomendou aumento dos investimentos em ações de companhias defensivas, como Vale do Rio Doce e Embraer, que têm o perfil exportador e se favorecem com a alta do dólar.
O dólar comercial terminou o dia cotado em alta de 0,49%, a R$ 2,418 na compra e a R$ 2,420 na venda, após ter atingido R$ 2,441 no período da manhã. Esse é o maior valor da moeda norte-americana desde o dia 22 de fevereiro, quando a cotação foi de R$ 2,422 (compra) e R$ 2,424 (venda). No mês, o dólar comercial acumula alta de 2,45%.
O mercado de câmbio abriu ontem com grande procura por ‘‘hedge’’’ (proteção) após o rebaixamento das recomendações do Brasil na última semana (Morgan Stanley, ABN-Amro, Santander e Merrill Lynch) e à divulgação de uma reportagem da revista ‘‘Veja’’ na qual o ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira é acusado pelo presidente da Companhia Vale do Rio Doce, Benjamin Steinbruch, de pedir propina durante o processo de privatização da empresa em 1997.
A acusação levantou temores de que o presidenciável tucano, José Serra, sofra um desgaste de imagem suficiente para que o leve a desistir da candidatura. Ricardo Sérgio colaborou com Serra em sua campanha para o Senado em 1994.

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